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    Vida querida - Contos

    Alice Munro

    Companhia das Letras
    2013
    316 páginas
    10h 32m
    ISBN-13: 9788535923674
    Português Brasileiro
    4
    460 avaliações
    Leram675Lendo54Querem1318Relendo0Abandonos22Resenhas44
    Favoritos49Desejados1318Avaliaram460

    Alice Munro - primeira autora de contos a vencer o Nobel de Literatura - revela o total domínio da forma breve e faz sua incursão na ficção autobiográfica, com quatro narrativas primorosas ambientadas na juventude. Os contos de Vida querida são ricos como romances - com personagens, tramas e vozes desenvolvidas em toda sua potencialidade -, mas, precisos como pede a tradição do gênero, prescindem de qualquer elemento que não seja essencial. O leitor, conduzido por narradores capazes de segurar a tensão do começo ao fim, se entrega a percursos surpreendentes, anunciados com sutileza e maestria em pistas esparsas. É o caso do conto que abre o livro, "Que chegue ao Japão": Greta se despede do marido e parte com a filha numa viagem de trem que acaba se tornando uma aventura conflituosa pelos caminhos do desejo feminino; em "Dolly", um casal de idosos decidido a acabar com a própria vida num gesto de cumplicidade e harmonia recebe uma visita inesperada do passado que irá abalar profundamente seus planos. Como nas demais coleções de contos da autora, mestre da forma breve, nos vemos diante de personagens que caminham nas beiradas da existência, arrancadas do cotidiano por golpes incisivos do destino e da loucura. Mas este Vida querida tem um diferencial que o coloca num nível novo; coroando uma carreira brilhante, a última parte do livro traz as quatro únicas narrativas autobiográficas já publicadas por Munro, que emprega toda a sua habilidade literária para refletir sobre o ato de narrar, a ficção e os temas que regem sua obra: memória, trauma, morte. Vida: vida.

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    Ana Sá16/10/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma escrita simples de tinta ácida

    Meu primeiro contato com a canadense que, ao vencer o Nobel em 2013, foi anunciada ao mundo como a "mestra do conto". Pelo que li na internet, "Vida Querida" (2013) talvez venha a ser seu último livro, por opção. A obra é dividida em duas partes: primeiramente, há um conjunto de 10 contos; depois, na parte intitulada "Finale", Munro apresenta ao leitor quatro textos assumidamente autobiográficos, que não são exatamente contos. A parte autobiográfica foi a que menos gostei. Admiro a coragem de se mostrar ao leitor, mas a infância e a adolescência da autora não me despertaram interesse; a meu ver, ela teve uma família e uma vida meio padrão norte-americano, não me atraiu muito, apesar de ter aspectos curiosos. Já os contos "pra valer" são instigantes. Adultério, amizade, luto, culpa, solidão, família, morte, velhice, infância. Mulheres submissas ou insatisfeitas com seus casamentos. Desajustados sociais que se encontram. Narradores crianças. Homens que eu incluiria facilmente na minha lista de "Boy Lixo da Literatura Contemporânea". Em síntese, as narrativas exploram de forma muito sutil diversas fragilidades humanas. Quase nada é escancarado, cabendo ao leitor fazer juízos morais que a autora não vai desenvolver. Como se Munro nos dissesse: "Você achou tal personagem inconsequente? Você considera fulano um boy lixo? É você quem está dizendo...". Ela narra o que é do modo que é, quebrando expectativas e causando incômodo. Uma frase, uma escolha, um gesto... De repente, algo tira a calmaria do leitor! Uma escrita simples de tinta ácida. Meus contos favoritos foram, com certeza, "Que chegue ao Japão" (protagonista mulher, escritora, casada e mãe, muito interessante!), "Cascalho" (um conto pesado, envolvendo infância), "Orgulho" (dois conhecidos que se unem pela solidão) e "Dolly" (um retrato curioso do amor na velhice). Estes aqui já fincaram a unha na minha memória literária! Não gostei de todos os contos não. Um ou outro até me cansou, foram chatos mesmo, ou não me transmitiram muita coisa. Mas, no geral, que prazer experimentei ao conhecer o estilo de Munro! A autora consegue brincar como ninguém com o conflito entre "aparência" e "essência" que marca a vida social de muitos de nós. Pretendo ler mais! Não menos importante: os contos são ambientados no Canadá, mas com muitas referências temporais ao período da Segunda Guerra, havendo personagens vinculadas a ela de alguma forma. Para acabar, escolhi uma frase que, a meu ver, ilustra bem o tom do livro: "Ela tinha aquele ar de leveza, como se estivesse esperando a vida começar".

    52 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 460
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas2%
    Alice Ann Munro profile picture

    Alice Ann Munro

    Nasceu em 1931 em Wingham, no Canadá. É autora de diversos livros de contos, traduzidos para mais de dez idiomas. Entre os numerosos prêmios literários recebidos ao longo de sua carreira - incluindo o Man Booker Prize, em 2009 - destaca-se o Nobel de Literatura, em 2013. Foi a primeira vez na história que o prêmio foi destinado a um escritor especializado em contos.

    45 Livros
    121 Seguidores
    Ontario, Canadá

    Alice Ann Munro