Após ter lido Deus na escuridão de Valter Hugo Mãe, decidi buscar algo igualmente profundo, mas com um toque mais leve e descontraído para manter minha "sanidade mental" pelo menos nas leituras. Foi assim que escolhi Para onde vão os guarda-chuvas de Afonso Cruz, e posso afirmar que a escolha foi certeira. A leitura foi uma experiência quase lúdica, proporcionando aquele quentinho no coração que tanto amo apesar das dores e tristezas dos personagens.
A narrativa de Para onde vão os guarda-chuvas se passa em um Oriente ficcional, repleto de personagens fascinantes e inesquecíveis: o pragmático dono de uma fábrica de tapetes, sua esposa herege, uma mulher que sonha em se casar, um hindu que deseja ser o seu marido, um poeta mudo, uma criança perdida e outra encontrada. Cada um deles carrega características notáveis, uma marca registrada dos romances de Cruz, e suas trajetórias abordam temas universais como perda, solidão, amor e religiosidade.
Afonso Cruz tem uma habilidade extraordinária para entrelaçar histórias e personagens de maneira que tudo se encaixa perfeitamente, como numa tapeçaria intricada. A metáfora da tapeçaria é especialmente apta aqui, pois, como ele mesmo sugere, o primeiro ponto não está separado do último e, se alguém mexer num deles, mexe inevitavelmente nos outros. Essa coesão narrativa é uma das grandes forças do livro, fazendo com que o leitor se sinta parte de um todo maior.
A leitura de Para onde vão os guarda-chuvas foi uma viagem tocante. A capacidade de Afonso Cruz de nos fazer refletir sobre a interconexão das nossas vidas, mesmo através de um cenário e personagens tão distintos, é impressionante. Fui realmente feliz em escolher este livro, que, além de ser um alívio para a mente, é também um tesouro literário que aquece a alma. Ameiii!