A Princesa Leal -

    Philipa Gregory

    Record
    2011
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-10: 8501077429
    Português Brasileiro

    Seu destino já estava traçado: tornar-se rainha da Inglaterra. No imaginário popular, Catarina de Aragão é vista como a rainha desprezada por Henrique VIII, a nobre trocada por Ana Bolena, a renegada da corte dos Tudor. Philippa Gregory, autora de A Irmã de Ana Bolena e O amante da virgem, reconstitui a infância e a juventude da infanta de Espanha. Criada no palácio de Alhambra, em Granada, Catarina fora prometida aos 3 anos de idade a Artur, príncipe de Gales. No entanto, a morte prematura do marido fez com que Catarina se unisse a Henrique, seu cunhado. Com base em um dos episódios mais singulares da história inglesa, Philippa Gregory nos oferece mais um delicioso romance.

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    Marina Fernandes06/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma viagem ao psicológico de Catarina de Aragão

    Sempre foi dito a esta princesa que ela seria rainha da Inglaterra, e ela não medirá esforços para que isso seja verdade... Pela cultura popular, conhecemos Catarina de Aragão como uma das mulheres mais desafortunadas da modernidade. Sempre retratada como velha e não tão atraente, comparada à belíssima Ana Bolena, Philippa Gregory nos mostra que o senso comum não compreendeu a essência desta incrível figura histórica. Nesse livro, temos a oportunidade de ver muito mais dessa rainha que foi tão amada pelo povo inglês. A autora nos mostra desde sua infância, na presença de seus pais, os reis católicos: Isabel de Castela e Fernando de Aragão, e suas irmãs: Isabel, João, Joana (futura rainha de castela, conhecida como Joana, a louca) e Maria. Vivendo a sombra de os considerados os maiores reis europeus para a cristandade, a autora mostra forte ligação de Catalina com sua família e sua terra natal, retratando seu sentimento com perfeição ao ter que perder tudo isso para partir para Inglaterra, em busca de cumprir com seu dever de ser a rainha do povo inglês, a partir de seu casamento com Arthur, o príncipe de Gales e herdeiro do trono. Aqui, vale destacar que a autora descreve de forma cuidadosa os eventos importantes da infância de Catalina junto aos seus pais, como sua presença em suas guerras santas, descrevendo sua atuação de maneira bastante interessante, e até a famosa conquista de Granada em sua luta contra os mouros. Tendo sido criada nesse ambiente de intolerância religiosa para com as “fés não verdadeiras”, vê-se que a personagem principal está em uma luta constante com essas suas crenças, porém nunca as abandona. Outro aspecto muito importante dessa parte da vida da infanta é a sua relação com sua mãe, a rainha Isabel de Castela. Não só no período em que conviviam juntas no mesmo palácio, mas também em sua comunicação após a partida de Catalina fica evidente as nuances de sua relação. Vemos como a fé de Isabel, passada a Catalina, e sua condição dentro da monarquia pode esfriar seus laços familiares. A autora desenvolve seu romance com maestria, porém sem comprometer a veracidade da vida dessa princesa espanhola. Dando um maior detalhamento (de forma romantizada) ao seu primeiro casamento com o príncipe Arthur, a autora descreve os infortúnios da vida desta princesa, os quais a levaram até seu casamento com o irmão mais novo de seu falecido marido, o futuro rei Henrique VIII. Ainda, Philippa Gregory constrói uma teoria para desvendar nesse livro um mistério que permanece sem respostas até os dias de hoje: haveria Catalina consumado seu casamento com Arthur? Os muitos eventos verídicos que antecedem seu segundo casamento, entretanto, são pouco mencionados, principalmente a sua longa espera em condições nada dignas de uma princesa, e o fato de que Henrique escolheu Catarina para ser sua esposa por livre e espontânea vontade, ao se tornar rei. A partir de sua ascensão como rainha há uma sucessão de acontecimentos que não são normalmente retratados sobre a rainha Catarina de Aragão, destacando sua enorme força e coragem. Essa obra é extremamente rica e interessante, vale a pena a leitura de cada página. Todo mundo deveria se dar a oportunidade de conhecer a rainha espanhola da Inglaterra Catarina de Aragão, uma mulher leal a sua fé, a sua família, aos seus deveres e a sua ambição.

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