Este livro apresenta uma análise crítica bastante contundente e direta à tese de Bart D. Ehrman, fortemente influenciado pelo pensamento de Walter Bauer, sustenta que, em muitos contextos, a forma mais antiga do cristianismo seria aquilo que, em épocas posteriores, passou a ser classificado como “heresia”. Segundo essa perspectiva, o cristianismo primitivo teria sido caracterizado por tamanha diversidade interna que não deveria sequer ser entendido como um movimento único e coeso. Essa proposta, ainda bastante influente nos meios acadêmicos contemporâneos, foi criticamente analisada e refutada por Andreas J. Köstenberger e Michael J. Kruger em sua obra A Heresia da Ortodoxia: Como o fascínio da cultura contemporânea pela diversidade está transformando nossa visão do cristianismo primitivo.
Nessa obra, os autores demonstram que, embora houvesse diversidade legítima no seio do cristianismo primitivo, existia também um núcleo doutrinário unificado que perpassa o Novo Testamento. Além disso, argumentam que a noção de ortodoxia não foi uma construção posterior imposta pela Igreja institucionalizada, mas sim um senso difundido e reconhecido desde os primeiros escritos cristãos. Os autores demonstram que o Novo Testamento apresenta um núcleo doutrinal unificado, aliado a um grau de diversidade legítima, e que o conceito de ortodoxia era amplamente compartilhado e universal entre os escritores neotestamentários. Além disso, eles expõem como o fascínio contemporâneo pela diversidade tem influenciado a interpretação do Novo Testamento, impactando significativamente a compreensão de diversos leitores.