Essa história soava familiar, eu gostei disso. Gosto em como o autor pegou lendas e mitologias conhecidas e fez algo a mais, da maneira dele. Não era copiado, não era igual, mas ainda sim familiar.
Por exemplo, o real e a fantasia são do mesmo saco, ambos possuem crueldade e violência, assim como é mostrado no o labirinto do fauno em que os contos de fadas podem ser tão brutais quanto a realidade. Os Comedores de Carne me lembraram vagamente os Vagantes Brancos de Game of Thrones. O mundo povoado por elfos, fadas, ninfas, ogros, duendes e animais humanóides lembrava uma Nárnia, só que mais selvagem e obscura. Além disso, o autor se baseou bastante na lenda arturiana pra moldar a ilha de Avalon, desde os nomes até os habitantes.
E, é claro, tem os elementos comuns da história de Peter Pan. Eu não conheço a história original, só a versão da Disney. É como se o autor tivesse pegado tudo o que há de infantil e mágico e transformasse em sangue, morte e vingança. Peter ainda é um garoto com um sorriso contagiante, que leva crianças perdidas para Avalon, prometendo diversão e um lar. Crianças que não têm nada: família, afeto ou amigos. Elas acham que não têm mais nada a perder, por isso seguem Peter e o veneram, pensam que ele as salvou, mas em Avalon, sempre há algo mais a perder.
No final, ficou claro que Peter não é alguém de confiança, não é o herói da história.
Parando pra pensar, é bem bizarro um garoto que nunca envelhece aparecer na janela e convencer crianças a irem com ele pra um lugar cheio de monstros e maravilhas, de onde elas provavelmente nunca mais poderão sair.