Não tenho bem certeza quem foi que chamou minha atenção para esse título, mas seu que foi a menção à Jane Austen que me fez ir atrás dele para coloca-lo na estante.
Letters to Alice tem uma premissa interessante: uma tia escritora que se corresponde com a sobrinha que dá os primeiros passos na mesma carreira – cartas que falam de escolhas, da paixão pela literatura, do ofício de escrever e, claro, de tia Jane.
O livro é rico em informações e metáforas grandiloquentes. Pra mim, que conheço e amo Austen, foi uma leitura interessante. Mas receio que a forma como toda essa informação é passada não tenha sido a melhor escolha: talvez pelo fato de vermos apenas as cartas da tia, sem as respostas da sobrinha ou se pela própria maneira muito floreada das correspondências, o fato é que soa algo artificial essa troca que não se consubstancia em troca real.
Parece-me que tivesse sido escrito o livro em forma de ensaio, ou até, talvez, numa única carta, Weldon teria se saído melhor, teria sido mais crível no plot da tia que tenta fazer a sobrinha se apaixonar por literatura. Seu discurso unilateral e muitas vezes condescendente enquanto se refere ao outro lado da história acaba truncando um pouco nossa compreensão e prazer na leitura.
A idéia, em si, é boa, e as informações e críticas trazidas são válidas, mas há algo faltando em Letters to Alice para que ele seja realmente memorável.