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    O que você está olhando -

    Gertrude Stein

    Iluminuras
    2014
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788573214222
    Português Brasileiro
    1
    1 avaliação
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    O teatro de Gertrude Stein é novo em muitos sentidos. Em primeiro lugar, as 18 peças reunidas neste livro são consideradas pelos teóricos do teatro pós-dramático — o teatro de hoje — como modelos que ainda precisam ser mais bem explorados pelos leitores e encenadores. Em segundo lugar, é a primeira vez que sai no Brasil uma obra que reúne todas as peças que a autora escreveu entre 1913 e 1920, um período particularmente fértil em experimentações com a linguagem. Avessa a criar tramas e personagens, como já se sabe, Gertrude Stein dedicou-se a inventar estruturas linguísticas. O seu “estilo” se tornou tão fundamental que, nas suas peças, suplantou definitivamente os “temas”, como bem observou Richard Kostelanetz. Por isso, nas criações da dramaturga norte-americana, as palavras se tornam sempre objetos autônomos, ou seja, são elas mesmas e não símbolos de alguma outra coisa. O leitor deverá, assim, durante a leitura das peças, dedicar especial atenção às palavras, sem se preocupar muito com o conteúdo. O teatro de Gertrude Stein é um espetáculo verbal. A própria artista disse certa vez: “A linguagem é uma coisa real, não é uma imitação dos sons, das cores ou das emoções.” Como recreação intelectual, as palavras de Stein soam muito estimulantes e divertidas, o seu saboroso nonsense é capaz de arrancar gargalhadas, dando origem a ótimas performances, a ótimas peças de teatro. De teatro pós-dramático, bem entendido, do qual não podemos mais fugir, pois é uma das formas artísticas do nosso tempo, forma já delineada nas primeiras décadas do século passado por essas 18 peças.

    Resenhas (1)Ver mais
    giovanna freire picture
    giovanna freire31/10/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    "Uma estação ferroviária não é para trens. É para nós."

    Definitivamente uma leitura que requer muita paciência, assim como a compreensão de que o teatro da Gertrude Stein não é feito de uma dramaturgia convencional. É um livro que demora até que você pegue o ritmo da coisa, mas que lentamente vai te ganhando. Não foi uma leitura incrível pra mim, mas também não foi uma leitura ruim, acho que algo bem no meio termo. O que saí sentindo dessa leitura é que adoraria ver uma montagem das peças da Gertrude, ver como elas aconteceriam nas mãos de encenadores. Me deixou com vontade também de ler elas em inglês, seu idioma original. Os textos dela me dão a mesma impressão que os de Shakespeare; que a sonoridade das palavras faz toda a diferença na cadência das frases e no ritmo das coisas, e que tudo faz mais sentido na forma que foi escrito originalmente.

    1 curtida

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    Gertrude Stein profile picture

    Gertrude Stein

    Nascida em 1874, no seio de uma rica família judaico-alemã, Gertrude Stein cresceu entre a Áustria e a França, para depois retornar aos Estados Unidos, residindo em Oaklan (Califórnia) e Baltimore (Maryland). Em 1897, ingressou no curso de medicina da Universidade Johns Hopkins, que abandonou em 1901. Dedicou-se, então, à psicologia e após concluir os estudos com William James e Henri Bergson, estabeleceu-se definitivamente em Paris. No salão de sua casa parisiense, concorridas reuniões semanais atraiam escritores e artistas de vanguarda, como Pablo Picasso (por quem foi retratada), Guillaume Apollinaire, Georges Braque, Henri Matisse e Jean Cocteau, além dos norte-americanos autoexilados Ernest Hemingway, Scott e Zelda Fitzgerald e Paul Bowles. Tornou-se, nessa época, a principal referência para o jovem Hemingway, influenciando-o em seus primeiros escritos. <br><br> Ao lado da companheira de toda a vida, Alice Babette Toklas, com que manteve uma relação estável e duradoura, Stein pode dedicar-se integralmente à literatura, já que a fortuna da família lhe garantia uma vida confortável. Em 1909, publica Três vidas, obra em que já se nota o experimentalismo de sua escrita, com parágrafos quase ininterruptos e uma série de reiterações. Gertrude Stein ficou particularmente conhecida por suas “autobiografias”: Autobiografia de Alice B. Toklas (1933) ? que retrata a efervescência cultural do começo do século XX na capital francesa ? e a Autobiografia de todo mundo (1936). Faleceu em julho de 1946, em Paris.

    17 Livros
    34 Seguidores
    Pennsylvania, EUA

    Gertrude Stein