"Pela música", explica Nattiez, "Orfeu procura subtrair todos os que o escutam do curso inexorável do Tempo. Cronos deixa por um momento o aedo crer em sua vitória, mas depois de ter fingido ceder à sedução de sua voz provoca sua morte". Ao imaginar este desenlace para o mito de Orfeu, jean-Jacques Nattiez examina como a concepção formalista da música que, por muito tempo, prevaleceu na estética musical é uma tentativa mágica de recusa do Tempo. Recorrendo ao modelo da semiologia musical que privilegia em todos os seus trabalhos e do qual ofereceu uma sintética apresentação no primeiro capítulo do livro, o autor examina, em relação ao Tempo, diferentes problemas do interesse de músicos, amantes da música, filósofos, antropólogos e literatos: O que é a criação nas músicas tradicionais? O que é o Belo musical? O que se entende por fidelidade e autenticidade na interpretação? Para tentar responder a estas questões, Jean-Jacques Nattiez comenta, analisa e critica tanto pensadores como Lévi-Strauss e Hanslick, quanto escritores como Baudelaire e Proust, ou músicos como Wagner, Gould e Boulez. Em suma, discute a questão do Pós-modernismo na música. Com a volta da linearidade, da temporalidade e da historicidade na concepção e escuta das obras musicais, não seria a música a vencedora do combate entre Cronos e Orfeu? Não seria ela que, do corpo destroçado de Orfeu, ressuscita em toda a sua glória?
O combate entre Cronos e Orfeu - Ensaios de semiologia musical aplicada
Jean-Jacques Nattiez
Via Lettera
2005
311 páginas
10h 22m
ISBN-10: 8576360128
Português Brasileiro
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