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    Sonhos em tempo de guerra - Memórias de infância

    Ngugi wa Thiong'o

    Biblioteca Azul
    2015
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788525060921
    Português Brasileiro
    4
    1089 avaliações
    Leram1418Lendo82Querem1581Relendo0Abandonos74Resenhas204
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    Um das principais vozes da literatura africana contemporânea e frequente cotado para receber o Prêmio Nobel de Literatura, Ngugi wa Thiong'o revisita sua infância em Sonhos em tempo de guerra, primeiro volume de suas memórias. O escritor nasceu em 1938, em uma região rural do Quênia, durante a ocupação britânica. Seu pai era polígamo e a família, formada por quatro esposas e 24 filhos, era uma comunidade que experimentava as diversas mudanças provocadas pelo colonialismo. Thiong'o mistura brincadeiras infantis e reflexões sobre o cenário político, como o hábito de contar histórias nas cabanas das mulheres de seu pai, a curiosidade de ouvir a experiência de um irmão que participou da Segunda Guerra Mundial, as brincadeiras com os filhos de donos de terra, e como essas relações mudam quando Thiong'o e seus irmãos passam a trabalhar nos campos. Com sutileza, o escritor compõe um cenário em transformação. Os cultivos tradicionais são substituídos pela produção escolhida pelos colonizadores, homens brancos aparecem nas plantações e crianças mestiças começam a nascer, mudando a composição das famílias. Sonhos em tempo de guerra também explora a descoberta da paixão de Thiong'o pelas histórias, pelas palavras e o momento em que ele se dá conta de sua sede de aprender. Frequentar a escola pode ser algo sacrificante, que exige longas caminhadas e impõe a sensação constante de fome, mas que lhe oferece a oportunidade de aprender a ler, o que lhe permite conhecer muitas mais histórias. Com um texto leve e envolvente, Thinog’o recorda momentos de descoberta infantil, como a primeira vez em que esteve em uma cidade e seu desejo de viajar de trem pela primeira vez. Suas observações se misturam com as lembranças de ataques da rebelião Mau Mau, que desafiou o domínio inglês defendendo a independência do Quênia. O escritor tem uma visão complexa do impacto do colonialismo nos países africanos que se reflete em sua ficção. As memórias de Ngugi wa Thiong'o são essenciais para compreender a formação do escritor e a postura crítica presente em sua ficção.

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    Bookster Pedro Pacifico26/02/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sonhos em tempo de guerra, de Ngugi Wa Thiong’o – Nota 9/10

    Apesar de ser considerado um dos principais nomes da literatura africana contemporânea, nunca tinha lido nenhuma obra do autor. Resolvi começar por seu livro de memórias, especificamente memórias da sua infância e juventude. Thiong’o nasceu em uma região rural do Quênia, na década de 40, e foi criado com base nos costumes e tradições das gerações antepassadas. Sua mãe, uma figura extremamente presente ao longo da vida do autor, era a terceira das quatro esposas de seu pai. E é a partir da visão de uma criança nascida em uma família poligâmica no interior do Quênia que o leitor acompanha as mudanças que o colonialismo traz na vida de Thiong’o e dos que estão à sua volta. É um contraste, percebido em pequenos detalhes, entre os costumes da população local e o “novo” conceito de civilização trazido pela colonização britânica. Essas mudanças impostas pelos colonizadores vão ser percebidas dentro da própria casa, nas escolas, no idioma falado, na religião, nos jornais e em diversos aspectos da vida cotidiana. A história do Quênia no período colonial e dos movimentos de resistência que surgiram em busca da independência está dissolvida de forma sutil ao longo de toda a obra. É um daqueles livros em que se aprende sem nem mesmo perceber! Além de relatar suas memórias de forma envolvente, o autor conseguiu transmitir ao leitor de forma muito real o processo de perda de identidade do povo colonizado. É o sentimento de não pertencer a uma cultura, de perder as terras em que vive e, como mencionado pelo próprio Thiong’o, de se sentir como um “forasteiro” em seu próprio país. “Sonhos em tempo de guerra” é um relato autobiográfico inspirador e que ensina muito ao leitor não só sobre fatos históricos, mas também sobre a resiliência e determinação do ser humano. . “A crença em si mesmo é mais importante do que intermináveis temores acerca do que os outros pensam de você. Valorize-se, e os outros irão valorizá-lo. A melhor legitimação é a que vem de dentro.”

    41 curtidas

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    Ngũgĩ wa Thiong'o

    Ngũgĩ wa Thiong'o é um escritor queniano, que escreveu obras em língua inglesa e que posteriormente tem escrito em língua gĩkũyũ. A sua obra inclui novelas, peças teatrais, contos e ensaios, da crítica social à literatura infantil. É o fundador e editor da revista gĩkũyũ Mutiiri. Em 1977, Ngũgĩ wa Thiong'o escreveu uma peça de teatro no seu Quénia natal que procurava libertar o processo teatral do que ele dizia ser "o sistema geral de educação burguês", ao encorajar a espontaneidade e a participação da audiência na execução da peça. A peça não foi bem acolhida pelo autoritário regime queniano e o autor passou mais de um ano na cadeia. A Amnistia Internacional tomou-o como prisioneiro de consciência, e o artista foi libertado da cadeia, saindo do país. Nos Estados Unidos, ensinou na Universidade de Yale durante alguns anos, e também na Universidade de Nova Iorque, nas áreas de "Literatura Comparada" e "Performance Studies". Ngũgĩ vê muitas vezes o seu nome nas listas de candidatos ao prémio Nobel da Literatura. Para o crítico literário Jonatan Silva, Thiong'o retrata como poucos a luta pela independência do Quénia. Em sua crítiva para Um Grão de trigo, Silva ressaltou a habilidade do escritor em criar um "jogo de espelhos" entre realidade e ficção

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    Kamiriithu, Quênia

    Ngũgĩ wa Thiong'o