Irmã espera o retorno do irmão, para que ele mate a mãe e o padrasto e governe a cidade como herdeiro de seu pai. Antes disso, o pai está em guerra com Tróia e acaba matando um cervo, deixando a deusa Ártemis pistola da vida e aí, para se desculpar, ele tem que sacrificar a própria filha para a deusa, deixando sua esposa pistola, obviamente. Aí, os gregos vencem a guerra e, quando o pai volta para casa, ele é recebido pela esposa e pelo primo dele, que o matam. Assim, a esposa dele e o primo ficam juntos e passam a governar a cidade no lugar dele, mas a sede de poder sobe às suas cabeças e eles decidem matar o herdeiro do cara, ou seja, a mulher queria matar o próprio filho, para que eles ficassem no poder pelo resto de suas vidas. Mas, antes que consigam fazer isso, a filha mais velha pega o menino e arruma um jeito de tirar ele de lá e, depois disso, ela passa o resto da vida sendo maltratada pela mãe e esperando o irmão voltar para realizar sua vingança. O irmão até volta, mas ele finge que está morto, para ninguém desconfiar que ele voltou.
Lendo assim, parece até novela das 21h, mas é uma peça escrita há 2400 anos e baseada na mitologia grega. E muito bem escrita por sinal, os diálogos são brilhantes e, em muitos momentos, são de cortar o coração, principalmente, quando Electra descobre a "morte" do irmão (que é comemorada pela mãe) e quando ela descobre a verdade e, finalmente, se encontra com o irmão, Orestes. Mas o ponto alto para mim é quando Electra entra em confronto com a mãe, Clitemnestra. A filha acusa a mãe de ter matado seu amado pai e ter tentado matar seu irmão, enquanto a mãe acusa a filha de defender um assassino e de tramar a sua morte, ao ter salvado a vida de Orestes e passar a vida esperando seu retorno. O leitor consegue compreender as motivações de ambas, mas as de Clitemnestra são bem menos compreensíveis, pois ela defende seu crime, usando o crime cometido pelo marido, Agamemnon, então de acordo com ela mesma, a punição para assassinato é a morte e, assim, acaba condenando a si própria, sem falar que tentou matar o próprio filho e, se tivesse conseguido realizá-lo, teria cometido um crime pior que o do marido (já que sacrifícios não eram considerados assassinatos na mitologia grega e eram até justificados dependendo da ocasião) e, além disso, trata as filhas que teve com Agamemnon como se fossem serviçais e inimigas. Enfim, a mãe tóxica.
Além disso, a leitura é muito rápida e mesmo sendo um livro muito antigo, a linguagem é acessível.