Há uns dois meses eu anunciei por aqui o lançamento desse livro e realmente me mostrei empolgada, pois a premissa é muito bacana e como são poucas páginas, imaginei que a narrativa seria rápida e cheia de reviravoltas, porém não foi bem isso que aconteceu.
O livro começa bem, ao longo da história são introduzidos capítulos falando sobre a vida de cada um dos convidados, o que se apresenta interessante num primeiro momento, pois todas as tramas são divertidas, porém alguns deles não são importantes para a história e parece perda de tempo saber sobre todos eles, quando o foco poderia ser em apenas alguns. A narrativa parece novelística e se você é adepto do estilo, provavelmente vai curtir. No meu caso, achei o livro bem arrastado. Como mencionei no início, achei que as histórias dos convidados davam uma dinâmica a história principal, porém com a repetição constante, acho que acabou surtindo o efeito contrário a partir da metade do livro.
Achei que o tal jantar iria ocorrer logo nas primeira páginas, já que a sinopse já entrega isso, e que a trama se desenrolaria realmente no que os convidados fariam ao descobrir o tesouro. O que acontece porém, é que na página 140 de um livro de 180, o fatídico jantar sequer começou. É nessa hora que uma das bem colocadas “nota do editor” entra no meio da narrativa e pede para o autor voltar pra história real e posso dizer que traduziu completamente meu sentimento: vamos parar de enrolar e ir direto ao que interessa?
O fim do livro contém uma surpresinha bem narcisista e talvez tenha salvado um pouco da história pra mim, pois não é algo usual de acontecer, o que pode ser um diferencial para o livro, já que para muitas pessoas um final surpreendente define um bom livro.
Festim das 12 Cadeiras é uma paródia ao conto russo 12 Cadeiras, de Ilf and Petrov e ao filme de Alfred Hitchcock, Festim Diabólico. E sim, eu sei que em Festim Diabólico a trama é em volta do tal baú e que corre um certo tempo até a descoberta, porém, mesmo sendo uma paródia, esperada um twist no meio da história, que distanciasse um pouco a trama de delBagno, da trabalhada por Hitchcock.
Mas antes de tudo isso, a primeira coisa que me incomodou foi a forma como os gays são estigmatizados. Num momento onde a comunidade LGBT está cada vez mais em foco em função de suas lutas por igualdade, é necessário ter muito cuidado na forma como eles são representados. Afirmações como “ele sabe que tom de azul é esse porque ele é gay” pra mim são completamente desnecessárias e sim, estigmatiza, e não de forma positiva. E não querendo ser injusta, apresentei o trecho a amigos homossexuais e vi no rosto deles o quanto foi uma escolha ruim de palavras nessas comparações. Em dias da sutileza de David Levithan ao abordar esses temas, é perigoso escrever e ver o tiro saindo pela culatra. Resta saber se esses “drops” na história fazem parte de toda a proposta com a qual a obra foi divulgada, de que seria uma crítica a sociedade e ao preconceito. Fora isso temos questões sociais e religiosas debatidas ao longo da narrativa, além de histórias bem bizarras de alguns dos personagens.
Como mencionei lá em cima, me senti lendo uma típica novela brasileira, e como uma pessoa não muito adepta de novelas, acho que o livro acabou abaixo das expectativas pra mim. Mas como sempre digo por aqui, talvez esse seja um título pra entrar no seu top 10, se houver inclinação para o estilo e história, portanto é sempre válido dar uma chance ao livro e tirar suas próprias conclusões.