Rio em Seis Tempos

    Alexandre Kostolias

    Jaguatirica
    2015
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788566605631
    Português Brasileiro

    Cenários, personagens e impressões de um Rio do passado, do presente e do futuro, em seis contos de Alexandre Kostolias. No ano em que a cidade do Rio de Janeiro comemora 450 anos, o escritor carioca Alexandre Kostolias lança Rio em seis tempos (Ed. Jaguatirica), que reúne seis contos em celebração ao estilo carioca de viver e sentir. Com um humor sarcástico e crítico, Kostolias revela um Rio através de “tempos”, com histórias que retratam a cidade e personagens que nela vivem ou viveram. O lançamento será dia 26 de março, às 19h, na Livraria da Travessa de Botafogo (Rua Voluntários da Pátria 97). O livro traz o selo oficial comemorativo dos 450 anos. A maioria dos contos foram baseados em fatos reais, que o próprio autor presenciou e personagens que teve a sorte de conhecer, e outros inspirados em histórias compartilhadas por sua mãe, à quem dedica o livro.

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    Leonardo Júnio Sobrinho Rosa14/11/2015Resenhou um livro
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    É impossível negar as belezas e o encanto do Rio de Janeiro, essa cidade única que encanta a todos. De uma beleza indescritível, esse é o Rio de Janeiro, um dos berços culturais do nosso país. Neste ano, o RJ completou quatrocentos e cinquenta anos e recebeu uma linda homenagem feita pelo escritor Alexandre Kostolias. O escritor A. Kostolias escreveu uma coletânea seis contos que invocam e retratam o melhor do estilo carioca de viver e sentir. A maioria desses contos foi baseada em fatos reais, que o próprio autor presenciou e personagens que teve a sorte de conhecer, e outros inspirados em histórias compartilhadas por sua mãe, à quem dedica o livro. Kostolias fez um excelente trabalho ao escrever esses contos que funcionam como uma linha do tempo do RJ, juntando passado, presente e futuro sem perder a essência do estilo carioca. Com uma riqueza enorme de detalhes, o autor descreve o Rio de maneira impar e encanta o leitor. Ressalto também o capricho do autor, em relação aos personagens, que foram muito bem construídos e elaborados. Não vou me atentar e analisar os contos contidos nesta obra. Todos são excelentes e eu não me sentiria bem em dar atenção a um conto especifico. Cada conto tem as peculiaridades, seu clímax, seus personagens marcantes, por isso é impossível falar somente de um. Se vocês querem uma leitura gostosa, leve, divertida e que te faça viajar, o livro “Rio em seis tempos” é a pedida certa. Você vai se encantar e terá um prazer indescritível ao ler esta obra. E não tenham receio de ler esse pelo autor não ser muito conhecido. Ele fez um excelente trabalho e uma belíssima homenagem ao Rio de Janeiro. -- Rio em Flor de Janeiro Carlos Drummond de Andrade A gente passa, a gente olha, a gente pára e se extasia. Que aconteceu com esta cidade da noite para o dia? O Rio de Janeiro virou flor nas praças, nos jardins dos edifícios, no Parque do Flamengo nem se fala: é flor é flor é flor, uma soberba flor por sobre todas, e a ela rendo meu tributo apaixonado. Pergunto o nome, ninguém sabe. Quem responde é Baby Vignoli, é Léa Távora. (Homem nenhum sabe nomes vegetais, porém mulher se liga à natureza em raízes, semente, fruto e ninho.) Iúca! Iúca, meu amor deste verão que melhor se chamara primavera. Yucca gloriosa, mexicana dádiva aos canteiros cariocas. Em toda parte a vejo. Em Botafogo, Tijuca, Centro, Ipanema, Paquetá, a ostentar panículas de pérola, eretos lampadários, urnas santas, de majestade simples. Tão rainha, deixa-se florir no alto, coroando folhas pontiagudas e pungentes. A gente olha, a gente estaca e logo uma porção de nomes populares brota da ignorância de nós todos. Essa gorda baiana me sorri: – Círio de Nossa Senhora… (ou de Iemanjá?) – Vela de pureza, outra acrescenta. – Lanceta é que se chama. – Não, baioneta. – Baioneta espanhola, não sabia? E a flor, que era anônima em sua glória, toda se entreflora de etiquetas. Deixemo-la reinar. Sua presença é mel e pão de sonho para os olhos. Não esqueçamos, gente, os flamboyants que em toda sua pompa se engalanam aqui, ali, no Rio flóreo. Nem a dourada acácia, nem a mimosa nívea ou rósea espirradeira, esse adágio lilás do manacá, esse luxo do ipê que nem-te-conto, mais a vermelha aparição dos brincos-de-princesa nos jardins onde a banida cor volta a imperar. Isto é janeiro e é Rio de Janeiro janeiramente flor por todo lado. Você já viu? Você já reparou? Andou mais devagar para curtir essa inefável fonte de prazer: a forma organizada rigorosa esculpintura da natureza em festa, puro agrado da Terra para os homens e mulheres que faz do mundo obra de arte total universal, para quem sabe (e é tão simples) ver?

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