"Longe da Multidão" narra a história de Gabriel Oak e da sua grande paixão pela bela, independente e enigmática Bathsheba Everdene, que chegou a Weatherbury como herdeira de uma vasta propriedade rural. Mas a jovem é também pretendida pelo sedutor sargento Troy e pelo respeitável agricultor de meia-idade Boldwood. Ao mesmo tempo que os destinos destes três homens dependem da escolha de Bathsheba, ela descobre as terríveis consequências do seu coração inconstante.
Longe da Multidão
Thomas Hardy
Edições (1)
Ver maisMulheres Carentes, Escolhas Erradas.
Eu assistia a um episódio de “C. B. Strike”, baseado na obra de Robert Galbraith, mais conhecida como J. K. Rowling, quando um dos personagens diz: “Cada autor possui uma voz”. Nada mais verdadeiro! Principalmente quando se é um leitor viciado, atento e que possui suas preferências literárias. Um leitor, como eu, que lê apenas livros em sua própria língua, sempre vai estar à mercê da qualidade do tradutor contratado por determinada editora. É sabido que o tradutor divide a autoria de uma obra. E, é justamente neste ponto que um livro pode ou não cativar o leitor mais exigente. Lembro-me de “Belíssima”, de Nora Roberts, que suscitou uma encrenca danada quando foi lançado. A tradução recebeu muitas críticas, e concordo que aquela edição está terrível. E, foi a mesma reversão de expectativa que aconteceu comigo quando comecei a ler a edição digital de “Longe Deste Insensato Mundo”, comprada em uma promoção da Amazon, por R$ 12,90. Veja bem leitor, quando iniciamos um livro clássico de um autor tão respeitado como Thomas Hardy nossa expectativa é alta. Eu esperava uma edição de grande beleza narrativa, que me emocionaria a cada página lida, até que fui tropeçando no texto confuso, com muitos erros de digitação e palavras “alienígenas” que sujavam o texto e o tornavam confuso. Como havia assistido ao filme e amado, eu desejava muito ler esse livro. Então, resolvi procurar outra edição, outra tradução, outra editora, mas só encontrei a edição portuguesa... Esperei a chegada com ansiedade, mas fui plenamente recompensada, pois mesmo com pequenos e raros erros, que em nada comprometem o texto, eu li, finalmente, um romance maravilhoso e imagino a altura do texto original de Hardy. “Longe da Multidão” é um romance recheado de menções, alusões, passagens e figuras bíblicas. Sempre com muita propriedade e coerência com a estrutura de cada personagem do próprio romance de Hardy. Bathsheba é uma jovem que conseguiu uma posição atípica na sociedade inglesa em uma época que a liberdade financeira das mulheres solteiras era vista com grande reserva. Além de bela, possuía aptidões para administrar sua herança com desenvoltura e arrebanhar corações por onde passasse. Há muitos e muitos anos eu li em um dos livros de Agatha Christie, se não me engano foi “O Misterioso Caso Styles”, o livro de estreia do meu adorado Hercule Poirot, que ao ser perguntado o motivo das mulheres, eventualmente, fazerem péssimas escolhas, responder que nós detestamos os homens monótonos. ;) Talvez, a frase não seja exatamente esta, mas este é o contexto. A memória é inversamente proporcional ao avanço da idade. :/ Bathsheba, como toda mulher, é vulnerável às belas palavras. Assim como os homens ficam indefesos diante da beleza. Mas, não podemos esquecer que Bathsheba, apesar de toda a sua vaidade e arrogância, é uma pessoa carente e fragilizada por anos de orfandade, solidão e preocupação com seu futuro, que ao encontrar alguém versado na arte da sedução, torna-se isca fácil. Gabriel Oaks, o sargento Troy e o lavrador de meia-idade Boldwood formam o núcleo central deste romance trágico, mas de leitura agradável e emocionante. Aproveite a descrição das paisagens e cenas rurais que são a cereja do bolo, afinal é um clássico romance inglês do final do século dezenove, que recomendo fortemente.
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