Existe uma coisa que tende a acontecer quando autores vão escrever contos pelo ponto de vista de personagens diferentes do protagonista de uma série que me incomoda muito. Não só me incomoda, mas mostra que o autor não sabe realmente escrever a mesma cena por dois pontos de vista diferentes. Nesse conto, a Amy Ewing fez essa coisa, talvez nem tanto quanto vários outros autores, mas a história da Raven teria sido perfeita se não fosse por isso.
Essa coisa é mais óbvia do que parece. Duas pessoas diferentes não podem ter a mesma impressão sobre a mesma coisa. Nesse conto, a Raven tem praticamente os mesmos pensamentos que a Violet teve sobre vários detalhes. Tem até uma hora no livro A Joia em que a Violet imagina que a Raven está passando para ela uma mensagem com os olhos, e a Raven na sua narração fala que está passando mesmo essa mensagem, com as palavras exatas usadas no primeiro livro da trilogia. Isso não existe na vida real. Não é normal uma segunda pessoa não perceber nada além do que a primeira percebeu, não ter nenhum pensamento contraditório com a narração da outra. A autora, como já vi vários outros fazerem, perdeu a chance de enriquecer a história com detalhes únicos da nova narradora e cometeu esse erro um tanto amador.
Sem contar com isso, o conto foi incrível. A Raven é maravilhosa, se mostrou uma protagonista muito interessante e eu até queria que sua história fosse mais longa. Em todos os momentos em que a autora não se perdia em frases quase idênticas às que usou no primeiro livro da trilogia, o verdadeiro potencial desse conto extra apareceu. Realmente, eu queria que ele tivesse sido mais longo e mais trabalhado.