Desde que uma amiga me trouxe esse livro lá da terra de Saramago há alguns anos, ele encabeça minhas próximas leituras mas na hora do 'vamos ver', é desbancado por algum outro livro. Acredito que depois de ler tantas críticas sobre essa obra vindas do próprio autor, fiquei bastante desmotivada. Enfim, chegou a vez desse querido livro que abriu as portas da literatura para o meu amado Saramago.
Achei muito interessante ler este livro depois de ter lido muitas outras obras do autor, tanto as clássicas mais conhecidas quanto as menos conhecidas como Todos os Nomes e O Homem Duplicado, por exemplo.
Este é, sem dúvida, a obra mais distante do que reconheço como estilo saramaguiano.
Preciso admitir que ler as primeiras 80 páginas foi um desafio. O estilo todo único do Saramago não está aqui em sua grandeza, muito embora possamos reconhecer um início, um leve início. Recheado de diálogos, dividido por parágrafos curtos e marcado por capítulos, o livro pode não lembrar Saramago, mas quando nos aprofundamos na complexidade das personagens encontramos ali a semente que já germinava naquele cérebro genial. E isso, pra mim, foi o melhor do livro.
Apesar do esforço enorme e dos dias que tive que demorar para conseguir vencer as primeiras 80 lentas e enfadonhas páginas, o livro quase que se torna outro com a chegada do cunhado da viúva.
Aliás, Saramago queria que este livro se chamasse A Viúva. Honestamente, concordo com ele.
As últimas 100 páginas eu li numa sentada e completamente interessada! O final, ou algo que se pareça com um final, foi inesperado e, sim, bem típico do Saramago.
A experiência foi ótima!