Meu samba

    Socorro Nunes

    Penalux
    2015
    123 páginas
    4h 6m
    ISBN-13: 9788568171066
    Português Brasileiro
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    vivian aurora de moraes bragagnolo picture
    vivian aurora de moraes bragagnolo19/01/2016Resenhou um livro
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    Um samba de três notas -- ou mais!

    O livro "Meu Samba" (Penalux) reivindica para a arte da escrita mais do que uma nota só. Com prefácio de Ana Elisa Ribeiro, a autora Socorro Nunes apresenta o seu primeiro livro de poemas. O livro é dividido em três partes e os títulos dão o que pensar: "a outra face", "visceral" e "fora dos trilhos". A primeira, mais despretensiosa, ainda uma introdução ao que haverá pela frente, traz à tona, entre tantos sentimentos aos que damos a outra face, o "medo": "vi com olhos de vaga-lume a neblina gelada e confusa cerrando a mata detalhes microscópicos das raízes que sustentam o medo de se perder por caminhos mapeados pelos seres que se arrastam em direção ao nada" Mas o medo é breve, e pessoas, lugares e objetos vêm salvar o eu lírico, como em "companheiro": "chega/ como quem não quer nada/ ou tudo/ quando se vê/ já é noite/ os dias passam/ e ele lá". O "luar do sertão" testemunha "mais um início. "poética do tempo" é outro poema do capítulo, e trata de pequenas coisas do dia a dia, pequenas coisas que estimulam os sentidos e emulam a poesia. Em "visceral", cabe ler poemas como "de pedra" ("da pedra vermelha/ escorre um líquido viscoso [...]". É nesse capítulo que está o poema que nomeia o livro. Um samba que não é de uma nota só: "é afeito/ a muitas notas/ afinadas ou desafinadas [...]". No capítulo "fora dos trilhos" há um poema belíssimo sobre a questão palestina, Porém, vale ressaltar o poema "cegueira": "os olhos não veem mais mas não estão cegos apenas não conseguem ir além da óbvia paisagem que a vista alcança sem nenhum esforço" Comovente e poeticamente impecável é "chuva seca", um nome de poema que causa estranheza, mas que se sente na própria garganta à medida em que se lê. Nesse livro costurado com carinho, Socorro Nunes não foge a pós-modernidade, publicando um poema chamado "amor líquido". Se é por causa das teorias de Bauman não se sabe, mas sabe-se que, este poema, na segunda parte do livro, questiona: "por que esses ossos/ que dão forma e vida/ não são imunes/ ao calor dos corpos/ antes da partida?". Excelente questão.

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