Logo de inusitado o projeto gráfico – uma série de cartões poéticos – com ares de livro de sebo, com a diferença que livro não é - tipo máquina de escrever 1965 – coisa de antiquário, mas que dá um charme aqui. Não o charme dos e-books, dos aplicativos digitais, mas o luxo de alfarrábio, de grimório. A poesia aqui é sobretudo trabalho com a linguagem. Um modo de dizer, mais do que um dizer. Significa não se preocupar em ser entendida, mas ser sutil, não entregar facilmente o sentido, não explicitar. Aliás, a poesia aqui não visa passar 'mensagem' ou conteúdo' – as experiências são diluídas em lembranças (que possivelmente só o interlocutor do eu-lírico conhece, relembra em consonância). A poesia se figura como uma mensagem em si-mesma, a linguagem em si-mesma, quando não um exemplo de metalinguagem, de auto-referência – o Eu-lírico a lembrar que se trata de um universo de Escrita – ficcional, confessional, artístico.
Corpos seriais
Vera Casa Nova, Marcelo Kraiser
Autêntica
1999
20 páginas
40m
ISBN-10: 8587470027
Português Brasileiro
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