No Seminário de número 18, datadas as exposições de 1971, Lacan explora a relação existente entre a palavra e o escrito (no sentido da letra), dando início à sua abordagem a partir da expressão que dá título ao livro: "de um discurso que não fosse semblante", escrito no quadro-negro logo no início da primeira conferência transcrita. A ambiguidade ou estranheza presente nesse dizer é conduzida por Lacan de modo a permitir as abordagens que são realizadas nessa obra.
O Seminário 18 é mais curto quando comparado com a maioria dos outros, não chegando a contar com 180 páginas. Isso não deixa a leitura mais rápido, tão menos torna a compreensão mais fácil. É o Lacan que todos conhecem com seu lacanês, exigindo atenção e paciência do leitor para que seja conduzido pelas explanações do psicanalista a respeito dos temas tratados no livro: o discurso do mestre, a articulação do discurso a partir de uma estrutura, a impossibilidade de uma metalinguagem e outras questões que permeiam ou funcionam como base para suas articulações.
O sintoma é necessário para que se tenha demanda para a análise, diz Lacan, de modo que talvez seja por isso que aquilo que enuncia no título desse Seminário (o discurso que não fosse semblante) é o que confere posição ao analista. Passando por diversas tratativas sobre o escrito ("o escrito não é linguagem", "a relação sexual [...] só subsiste, em última instância, a partir do escrito" e outras tantas), Lacan conclui o Seminário destacando um aspecto paradoxal do supereu, definindo sua prescrição como a que "se origina precisamente nesse Pai original mais do que mítico, nesse apelo como tal ao gozo puro, isto é, à não castração" - daí que o que diz o supereu é "Goza!", encerrando assim a abordagem mediante esse cúmulo do paradoxo.