Carta náutica das desimportâncias

    Fabíola Rodrigues

    7Letras
    2015
    86 páginas
    2h 52m
    ISBN-13: 9788542104233
    Português Brasileiro

    “De Nampula a Itabira, da despedida ao encontro, atravessando a ponte atlântica que nos une à mãe-áfrica, esta Carta náutica das desimportâncias marca a estreia de uma poeta de estilo único, que sabe aliar uma extrema riqueza de vocabulário e de recursos linguísticos (metáforas, aliterações) a um texto que conversa com o leitor como se este fosse um velho amigo.” As palavras – belas, insólitas, extraordinárias – arrumadas em formas raras e surpreendentes delimitam os versos do primeiro livro de poemas de Fabíola Rodrigues. Durante quatro anos ela andou por África vislumbrando cenas, aromas e saberes tão exóticos e ao mesmo tempo tão familiares. Essa vivência marca muitos textos, mas também há os que transbordam feminilidade, sensualidade e a urgência de expressar-se através da poesia. Os poemas de Fabíola envolvem o leitor em uma aura única, conduzindo-o por um tempo e lugares esquecidos, porém presentes. FABÍOLA RODRIGUES nasceu em Votuporanga, São Paulo. Socióloga, mestre e doutora em Demografia, atua na gestão pública do patrimônio cultural em Campinas (SP). Residiu na Guiné-Conakry e em Moçambique, África, entre os anos de 2011 e 2015.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (3)Ver mais
    O que tem na nossa estante picture
    O que tem na nossa estante18/06/2016Resenhou um livro
    0

    Faz pouco tempo que comecei a ler livros de poesia. É claro que já tinha lido na escola poemas clássicos de nossa literatura, como Vinícius de Morais, Drummond, Castro Alves entre outros e até arrisco de vez em quando fazer uns versinhos, mas não era assídua leitora deles. Acontece que há mais ou menos 5 anos ganhei um sorteio num blog amigo e o prêmio era um livro de poemas chamado “A moça do Sonho” da poetisa Janaina Cruz. Eu estava me sentindo culpada por ter ganho porque imaginava que ia ler metade e parar, só que acabei lendo o livro todo e A-DO-RAN-DO! Depois disso fiquei empolgada e comprei um livro da Lica Sebastião e li tudinho também, foi aí que entendi que o que gosto mesmo é de poesia contemporânea, porque quando eu lia os nossos clássicos não conseguia me concentrar e estranhava o jeito como as poesias eram construídas. O pessoal de antigamente estava muito preocupado com a forma e a sonoridade dos poemas e isso me causava estranhamento. Quando a Michele me pediu para ler o livro da Fabíola eu fiquei na expectativa do estilo dela não ser tão formal e ufa! Não era [risos]. É claro que ela tem conhecimento do assunto, mas acho que prefere dar um ar mais contemporâneo e descolado: “Meto os pés gelados No mocassim de camurça, Apanho a bolsa, retoco o lápis, reforço o batom carmim.” (RODRIGUES, Fabíola, Le Jour Gris, pg. 11; 2015) Tem muitos poemas com versos livres, algumas prosas poéticas e o que me cativou mais foram os poemas com temas cotidianos, porque por mais que poemas de amor sejam bacanas, um poeta que só fala disso me parece aquele tipo de pessoa que coloca o marido na foto de perfil do facebook. Em outras palavras, que não tem mais nada de si para compartilhar com as pessoas. Viajei bastante na alma da Fabíola, ou melhor no eu lírico dela! Tipo nesse texto fofo: “L’oiseau et la pluie” Chove muito lá fora E a tarde é tão fria... Na rua, uma agonia quieta, E o pequenino lá, Pendurado, manso, imóvel, Sem um pio, sem um gesto, Altaneiro e solitário, Nenhum assobio de dor ou de cólera Só meu coração alvoroçado, Choroso... Rodopia desengonçado Perturbando essa beleza triste.” (2015, pg. 22) Fiquei envolvida pelo passarinho, coitado passando frio do lado de fora! A vontade que dá é de pegar e colocar no colo (“instinto” materno falando alto).Brincadeiras à parte, acho que esse tipo de poema mostra como o cotidiano é cheio de poesia e que basta olhar para pequenos detalhes com alma de poeta para encontra-lo. Ok,ok agora eu deixou outro trechinho de poema para vocês, pessoas românticas sedentas de amor: “Versinhos de amor” (...) Andréa, meu amor Todos os sábados De lua cheia Quero tocar minha lira E beber vinho Escorregar macio No cetim cor de jambo Das suas frutadas planícies de ardor e desejo. Esse trecho até pega fogo hein? Vinho, ardor, desejo... sei não essa mistura causa incêndio... (e um brinde após nove meses). Parando com a palhaçada, uma coisa me deixou encucada. No início do livro tenho uma citação do Freud sobre os sonhos serem egoístas e o último poema retoma essa referência. Será que o livro todo trata-se de sonhos? Ou será que é apenas o último?

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 8
    • 5 estrelas63%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas13%