Não tenho roupa nem capacidade para resenhar um livro do dr. Ives Gandra, mas gostaria de registrar algumas vagas percepções... A proposta do livro é intensa, em uma bela edição atualizada de um desconhecido livro até mesmo pelos intelectuais, infelizmente, talvez porque obscurecido por um Hobsbawm ou algum filósofo-jurista da Unicamp, quem sabe...
O fato é que, o dr. Gandra nos traz uma resumida história do mundo, também do Brasil, em que as contradições da humanidade sempre foram o fio condutor da história, pois quem nunca se deparou ante a dúvida entre a fé e a razão, a guerra e a paz, o jusnaturalismo e o juspositivismo.
A falta da quinta estrelinha tento justificar diante da crença do autor na tecnocracia e na aparente bondade daqueles que dizem querer o bem comum; eu o entendo, haja vista que é jurista de profissão. Não sei se o problema foi que, ao apresentar as contradições entre diversos espectros da realidade, acabei confundindo com o quê o dr. Gandra realmente acredita. Mas o livro me trouxe algumas questões que nunca pensei na vida, não como postas mas em outras palavras, como por exemplo, o reducionismo da grande família do passado ao núcleo familiar atual, onde qualquer componente pode ser trocado conforme o dia e a hora; lembro uma vez ter lido como a Previdência Social quebrou o vínculo entre as gerações: antes os mais velhos eram apoiados e respeitados pelos mais novos, agora o Estado [mal]cuida de tudo e de todos.
Também achei interessante sobre a constatação da miserável falha de atuação da OMC e do FMI na ingerência sobre países em desenvolvimento, assim como a pregação de um livre-mercado e de globalismo pelos países ricos, mas sem deixar de proteger as suas ineficientes siderurgias e fazendas, no melhor estilo "Farms here, Forests there". Dilemas e contradições da vida...
Para encerrar, as últimas frases do autor: "A luta do homem no século XXI não será diferente: ou encontra o caminho da interioridade na busca de aperfeiçoamento de sua essência ou, se optar por voltar-se apenas para a exterioridade, navegará para sua autodestruição."