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    Quando tinha cinco anos eu me matei -

    Howard Buten

    Rádio Londres
    2016
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788567861104
    Português Brasileiro
    3.7
    172 avaliações
    Leram217Lendo7Querem319Relendo0Abandonos3Resenhas20
    Favoritos16Desejados319Avaliaram172

    A voz narradora desta história pertence a Burt, um garoto de oito anos com uma imaginação fecunda e que se expressa por meio de uma linguagem livre, rebelde, misteriosa e, por isso mesmo, incompreensível aos homens de bata branca do Centro de Internamento Infantil no qual está preso, por conta do que fez a Jessica. Eles o assediam, insistem, de modo compulsivo, em ler sintomas clínicos em suas fantasias e tentam submeter seus impulsos infantis aos ditames da moralidade adulta. Uma prosa maravilhosamente eficaz, um romance hipnotizante e cheio de momentos de pura emoção.

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    Resenhas (20)Ver mais
    Elisa Munhoz Cazorla picture
    Elisa Munhoz Cazorla18/02/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Adultos e crianças são de planetas diferentes

    Bom, essa não será uma resenha fácil. Poderia falar desse livro por diferentes perspectivas, mas vou falar apenas das minhas impressões - o resumo da obra você pode achar em vários sites. O que é importante saber para degustar melhor este livro é quem é o autor (isso vale para todos os livros, na verdade rs). Ele é psicólogo, especialista em crianças autistas e também é um palhaço profissional que ganhou, inclusive, prêmios por sua atuação. Digo isso para ficar claro que este autor conhece o universo infantil como poucos e fala a língua das crianças como quase ninguém. Os adultos subestimam as crianças. Em várias obras que li, quando o personagem é uma criança, tende-se, muitas vezes, a criar um sujeito simples, com falas simples. Crianças não são simples, são na verdade, tão complexas quanto os adultos. Elas também percebem o mundo e a si mesmas no mundo mas, de uma forma muito diferente do que os adultos. Nós fomos crianças um dia e esquecemos de tudo isso e passamos a menosprezar e a subestimar as crianças como um dia também fomos. Não atribuímos às crianças personalidade, raciocínio, inteligência e emoções complexas. Muitas vezes enxergarmos as crianças como filhotinhos fofinhos. Este é um livro que me fez pensar sobre isso e como eu devo mudar minha forma de encarar as crianças. Enfim, este é um livro que dá voz a uma criança de 8 anos e, na minha opinião (de quem não entende nada de psicologia infantil), foi algo muito mais perto do que pode ser a realidade. Mais algumas curiosidades: o livro foi primeiramente lançado nos EUA (embora o autor seja francês) com o título Burt e não vendeu quase nada. Ficou esquecido durante alguns anos até que a França publicou o livro mas com esse título e estourou de vendas se tornando um clássico francês. Achei essa informação interessante porque eu comprei o livro por causa do título e acredito que essa jogada de marketing (o próprio autor explicar que esse título foi uma decisão de marketing), muito acertada, fez com que leitores o lessem e o transformassem em um sucesso. Comprei pelo título, mas amei pelo seu conteúdo. Não quero falar sobre o livro em si, mas recomendo e acho que vale muito ler este livro para pensar sobre como os adultos não falam a língua das crianças. Como adultos e crianças convivem de perto mas estão, ao mesmo tempo, tão distantes. Uma outra forma de ler o livro é por uma perspectiva dos tratamentos psicológicos. Sendo o autor um profissional da área, ele também faz uma crítica sobre as instituições que tentam ajudar crianças consideradas mentalmente incapazes, intelectualmente atrasadas ou até mesmo um perigo para os outros. O livro é narrado inteiramente por um menino de 8 anos chamado Burt. A narrativa é espetacular porque nos faz querer saber o que aconteceu do começo ao fim. Muitas vezes eu me sentia ouvindo um menininho falando e me esquecia completamente do autor. Me assustei diversas vezes com essa pessoinha tão cheia de personalidade e sentimentos que muitas vezes negamos às crianças. Há passagens cheias de emoções e há também outras muito tensas. O livro me fez pensar em como eu mesma me sinto em relação à uma criança que toma certas atitudes não esperadas para uma criança (porque temos expectativas falsas e simplistas). No decorrer do livro, tive sensações diferentes em relação ao narrador-protagonista. Entender o mundo e a linguagem das crianças não é tarefa fácil e talvez seja impossível. Talvez, quando conseguirmos nos comunicar melhor (adultos e crianças) o mundo não seja um lugar tão devastador para esses seres tão complexos quanto os adultos. Quando entendermos melhor as crianças não seremos responsáveis por tantos traumas e sofrimentos (aos quais um dia fomos submetidos) que infligimos às crianças que convivem conosco. Achei um livro ótimo! Uma ótima surpresa.

    14 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 172
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas2%
    Howard Buten profile picture

    Howard Buten

    Howard Buten (nascido em 1950, em Detroit, nos Estados Unidos) é escritor, psicólogo e clown, três profissões aparentemente inconciliáveis, mas que, no caso desse autor único, estão intimamente interligadas. Filho de uma atriz do Music-Hall, passou a infância fazendo teatro, treinando ventriloquia e aprendendo a tocar vários instrumentos musicais. Buten, o escritor, mora na França, fala fluentemente francês, mas nunca deixou de escrever em sua língua materna. Seu primeiro romance, uma história narrada unicamente pela voz de um menino, foi publicado nos Estados Unidos em 1981, sob o título de Burt (o nome do protagonista). O livro passou quase despercebido, mas, no mesmo ano, uma tradução foi lançada na França com o novo título, Quand j’avais cinq ans, je m’ai tué (Quando tinha cinco anos, eu me matei), ideia do tradutor francês Jean-Pierre Carasso, vendendo mais de um milhão de exemplares e, subsequentemente, sendo traduzido para mais de dezesseis idiomas. Buten, o psicólogo, nasceu em 1974, obteve doutorado em psicologia clínica em 1986 e dedicou a carreira à tentativa de compreender as crianças autistas, tornando-se um especialista internacionalmente reconhecido sobre a doença. Em 1996, criou, na periferia parisiense, o Centro Adam Shelton, uma clínica que acolhe jovens acometidos por autismo. O personagem Buffo, o clown, nasceu em 1974, nos Estados Unidos. Inspirado em Grock, o grande clown, compositor e músico suíço, acumulou mais de mil representações no continente americano até o final da década de 1970, estreando em 1987, no Teatro Le Ranelagh, em Paris. Seu sucesso foi imediato e, em 1998, ganhou o prestigioso prêmio Molière do teatro francês, como melhor one-man-show. Em 1991, Howard Buten foi nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, umas das mais importantes condecorações concedidas pelo Ministério da Cultura da França.

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    Howard Buten