Outras Inquisições -

    Jorge Luis Borges

    Globo
    1999
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-10: 8525028770
    Português Brasileiro

    Uma trama literária, uma divagação imaginativa sobre determinada etimologia, uma frase peculiar de uma obra esquecida de uma cultura remota, uma lembrança idiossincrática de um evento histórico, uma metáfora curiosa, uma anedota, tudo serve para inspirar Borges de forma inesperada para compor digressões eruditas e curtas sobre temas essenciais da tradição do pensamento ocidental: o tempo, a morte, a natureza da literatura, o sentido da história. Mas Borges está longe do sisudo padrão da exegese acadêmica, preferindo entregar-se ao jogo livre e irônico de suas hipóteses, dos juízos de valor caprichosos, dos paradoxos inesperados, da perspectiva insólita sobre temas da literatura e da filosofia, em que o tempo e o infinito se destacam como motivos centrais. O estilo narrativo e o caráter imaginoso da inquirição intelectual aproximam muitos destes ensaios do conto e dão, às vezes, a impressão de material disponível para a ficção ou de um texto de gênero ambíguo ou híbrido, mas sempre sugestivo e estimulante, em que as figuras do pensamento são também figuras da imaginação. O título, em que ecoa a etimologia esquecida do termo e a sinistra instituição das fogueiras punitivas, tinha um certo ar de provocação, em época de ditadura peronista, embora remetesse também a Inquisições , o primeiro livro de ensaios que publicou, em 1925, e renegou depois.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (3)Ver mais
    Angelo Giardini picture
    Angelo Giardini20/03/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um livro para se descobrir outros livros

    Trata-se de uma coletânea de ensaios e textos esparsos de Borges que, com certeza, agradará a todos que se interessam por discutir livros e literatura (o tema principal da grande maioria dos textos). É fascinante como Borges navega através dos tempos, recuando até textos mitológicos da Índia, da China, ou textos clássicos gregos, romanos e hebráicos, e traçando paralelos com autores mais contemporâneos dos Séculos XVIII, XIX ou XX. Além dos temas que lhe são sempre caros, o que me saltou mais aos olhos foi o grande amor que Borges dedica à literatura em língua inglesa. No final, sai com vontade de ler alguma coisa (ou mais alguma coisa) de Hawthorne, Oscar Wilde, Chesterton e H. G. Wells. Enfim, altamente recomendável a todos que se interessam por literatura; mas um perigo para quem está evitando comprar mais livros.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 90
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas51%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%