O Mistério de Edwin Drood -

    Charles Dickens

    Lachâtre
    2001
    536 páginas
    17h 52m
    ISBN-13: 9788574770413
    Português Brasileiro

    Charles Dickens estava trabalhando neste livro quando morreu subitamente, em 9 de junho de 1870, aos 58 anos de idade. Seu imenso e fiel público leitor ficou desolado, ainda mais que O Mistério de Edwin Drood era sua primeira incursão pelo nascente gênero da literatura policial e ele não deixou qualquer roteiro sobre como pretendia encaminhar e concluir a estória. Dois anos depois, Dickens retornava, através da mediunidade de Thomas P. James, jovem e inculto médium americano, para finalizar a obra. Com olímpica arrogância, os meios literários internacionais simplesmente ignoraram a metade mediúnica do livro, no pressuposto irrecorrível de que, ao escrevê-la, Dickens estava morto e gente morta não pode escrever. Parece, no entanto, que alguém esqueceu de ´combinar´ isso com os mortos, que continuam produzindo seus textos como sempre fizeram... Pelo menos, desde que aquela mão invisível traçou, nas paredes de um bíblico salão de festanças, as três palavras que anunciavam o fim do reinado de Baltazar. As publicações Lachâtre assumem a desafiadora atitude de resgatar literalmente do limbo o texto que há cerca de 130 anos vem sendo injustamente considerado maldito. Se você, leitor/leitora, ainda guarda alguma reserva e prefere não se comprometer, leia o livro discretamente, como se não soubesse que foi um fantasma que escreveu seu emocionante final.

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    Carlos Nunes05/11/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O livro inacabado do Dickens - será mesmo???

    A expectativa dos leitores vitorianos com esse livro era grande, não só porque o autor estava há quatro anos sem lançar nada, mas também porque essa seria a sua primeira incursão em um gênero ainda nascente, a literatura policial. A publicação em fascículos estava indo muito bem, quando o autor repentinamente faleceu, deixando a obra inacabada e os leitores órfãos. Porém qual não foi a sensação quando, após três anos, apareceu nos Estados Unidos uma edição contendo o final da história, perfeitamente integrada à parte já publicada, que teria sido concluída pelo próprio Dickens - só que morto, através de psicografia. Sem querer entrar nesse mérito, analisando apenas a obra como um todo, eu gostei bastante da leitura. Não se tornou um favorito do autor, para mim UM CONTO DE DUAS CIDADES ainda continua no topo da lista, seguido de perto por GRANDES ESPERANÇAS, mas de forma nenhuma esse aqui faz feio. Ele tem todas as características marcantes da obra do Dickens, uma narrativa gostosa e envolvente, aquela atmosfera que nos faz mergulhar na cena, muita ironia, personagens carismáticos e uma excelente história. Eu sei que muita gente não gosta do Dickens por achar tudo muito fantasioso, com seus personagens caricatos e com nomes estranhos, situações inverossímeis, coincidências fáceis demais e cenas excessivamente sentimentais, mas para quem gosta do autor não tem como se decepcionar. Como foi o último livro do Dickens, tem um tom um pouco mais sério, está mais NOSSO AMIGO EM COMUM ou A PEQUENA DORRITT do que para SENHOR PICKWICK ou UM CONTO DE NATAL. Meu único porém é que, por se tratar de um romance de mistério, achei a trama policial um pouco fraquinha, não me pareceu que esse aspecto foi bem desenvolvido, pra qualquer bom detetive ou investigador no mundo real o caso seria solucionado rapidamente, mas se levarmos em conta que esse gênero ainda estava nascendo, pode ser que os leitores da época encarassem de modo diferente. Quanto à questão do final, aqui no prefácio a edição tem um desafio: o tradutor propõe que se leia o livro sem nenhum tipo de pesquisa, tentando descobrir onde termina o texto original e começa a parte escrita pelo Dickens “fantasma”. Eu, sinceramente, não percebi diferença nenhuma, a história fluiu bem até o final, que eu achei excelente. Se eu não soubesse desse detalhe da escrita, jamais teria desconfiado dele. Só um pequeno detalhe me chamou a atenção, e mais por causa das notas do que pelo texto em si: em alguns momentos, há trechos curtos, a maioria só um parágrafo, com um caráter mais religioso, apenas uma menção maior a Deus ou à sobrevivência da alma após a morte mas para quem não gosta não precisa se preocupar. porque não é nada doutrinário. Só chama a atenção porque, como o tradutor explica, isso não era habitual no Dickens “vivo”, ele não era ateu, mas também estava longe de ser uma pessoa religiosa, mas depois de estar no além há três anos, certamente algumas de suas crenças haviam mudado. Enfim, O MISTÉRIO DE EDWIN DROOD, incompleto ou não, ficou sendo o testamento do Dickens, e mais uma amostra do grande talento literário do escritor que, se não tivesse partido tão cedo, com apenas 58 anos, ainda teria muitos outros livros fantásticos para nos deixar.

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