O Banqueiro Anarquista e Outros Contos (Livros de Bolso) -

    Fernando Pessoa

    Relógio D'Água
    2015
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9789896414559
    Português

    «Tínhamos acabado de jantar. Defronte de mim o meu amigo, o banqueiro, grande comerciante e açambarcador notável, fumava como quem não pensa. A conversa, que fora amortecendo, jazia morta entre nós. Procurei reanimá-la, ao acaso, servindo-me de uma ideia que me passou pela meditação. Voltei-me para ele, sorrindo. — É verdade: disseram-me há dias que você em tempos foi anarquista… — Fui, não: fui e sou. Não mudei a esse respeito. Sou anarquista. — Essa é boa! Você anarquista! Em que é que você é anarquista?... Só se você dá à palavra qualquer sentido diferente... — Do vulgar? Não; não dou. Emprego a palavra no sentido vulgar.» "O Banqueiro Anarquista" foi publicado no 1.º número da revista Contemporânea, saído em 1 de Maio de 1922.

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    Marianne Wilbert09/09/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Embora curto, o conto O Banqueiro Anarquista é bem denso. Perdi a conta de quantas vezes ele fala em sociedade livre, ficção social e tiranias. O conto começa com um amigo questionando o outro como ele pode ser um banqueiro anarquista, que é um paradoxo por si só. Este explica que o anarquista é um revoltado contra a injustiça de nascermos desiguais socialmente. As injustiças naturais não temos como evitar, mas as sociais, ou seja, ser superior a alguém por qualidades postiças (como posição social, vida facilitada, etc, por circunstâncias que lhe acontecem após o nascimento. Ele chama isso de ficção social porque não é natural.), tem que ser abolidas para haver uma sociedade livre. Ele fala ainda que essa mudança não poderia ser através de uma revolução, pois o resultado de revolução é sempre uma tirania e vai divagando sobre esses temas para justificar o porquê de sua profissão e como ele é de, fato, um anarquista. A ideia apresentada é bastante interessante, porém o texto não deixa de ser um pouco cansativo. Um jantar original é algo que eu esperaria do Edgar Allan Poe, mas não do Fernando Pessoa. Uma grata surpresa (embora seja bastante previsível o rumo da história)! Por fim, A Porta parece uma análise sobre o medo e a loucura, com um início bastante filosófico. Também lembra muito o estilo do Poe, que acredito que tenha sido uma grande influência a Pessoa. Acho que renderia uma boa discussão entre pessoas que estudam psicologia rs

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