Tão Longe, Tão Perto -

    Verônica Toste Daflon

    Mauad
    2017
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788574788661
    Português Brasileiro

    Este livro recupera e retoma o debate sobre mestiçagem, mistura e morenidade no Brasil sem cair nas tradicionais armadilhas de festejá-las como evidências de relações raciais harmônicas, denunciá-las como falta de consciência racial ou essencializá-las como causa da nossa desigualdade. Este livro leva a sério a categoria "pardo" historicamente negligenciada pelas Ciências Sociais. Pardos que estão tão próximos dos que se identificam como pretos nos indicadores socioeconômicos, mas tão distantes na percepção sobre a discriminação - um paradoxo que estimula o trabalho e inspirou o título. A obra analisa teoricamente as tensões e ambiguidades da construção da mestiçagem, sua interseccionalidade com as questões de classe e gênero e suas transformações ao longo do tempo. Sem dúvida, trata-se de uma referência inspiradora e inovadora para os que querem conhecer mais sobre as continuidades e mudanças da formação racial brasileira.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Erykah Rodrigues picture
    Erykah Rodrigues28/02/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    De longe não me veem, mas de perto até que percebem

    A escolha da leitura desse livro não tem nada a ver com pesquisa, com reflexões afirmativas sobre a construção das identidades brasileiras, nem para entender como os pretos sofrem o racismo. Pelo contrário, foi uma leitura pessoal, autovalidativa, um autodescobrimento perplexo que me construiu e destruiu enquanto eu lia cada palavra e cada conceito. A construção que Verônica faz em “Tão longe, Tão perto” me fez refletir melhor sobre como enxergamos a “raça” no Brasil e de que maneira os diferentes grupos são aludidos a estereótipos, histórias e desapreços durante o processo de construção da ideia de raça na sociedade brasileira. É um trabalho sociológico denso que sei que irei voltar de tempos em tempos, mas que, em primeiro lugar, me fez refletir sobre o meu espaço como pessoa racializada, como homem racializado. Hoje não me nego, busquei validação em suas palavras, queria admitir que sim “eu sou um homem negro” e negro aqui não tem a ver com cor, assim como muitos do movimento negro atribuem essa classificação. Negro aqui tem a ver com cultura, com classe social, com percepção de territorialidade, de mobilização e transição social, de adoção ou negação dos aspectos vigilantes do indivíduo que forma sua identidade em processos de socialização oriundos de visões contrastantes que formam a ideia de Preto, pardo e branco no Brasil. Fui negado pelo simples fato da percepção de diferentes grupos me tornarem ambíguo, ambivalente, transitório e repositivo. Minha posição social influencia, meus traços influenciam, mas raça é uma relação social, a percepção assim também o é. A visão de alguém sobre determinado aspecto considerado social depende tanto da materialidade das condições de ascensão social ou de conhecimento adquirido sobre ela, além de depender completamente dos contextos múltiplos e das ideias construídas no imaginário social das pessoas brasileiras. Não sou branco, não serei branco mesmo que alguns me ditem como um. Assim como me permito analisar as instâncias que constroem a minha identidade. Hoje, analisar a transformação e a percepção tem um ar diferente: de desconstrução. Não busco mais validação sobre mim, me permito constatar com os fatos da realidade sobre a minha percepção e a percepção dos outros sobre o que é me determinado como grupo, como indício de diminuição ou diferenciação. Quando falam “menos que nós”, quando os brancos dizem isso, sempre assumimos ou internalizamos parte do discurso, os aparatos simbólicos funcionam assim, as representações formam um aspecto dominante que a gente chama de ideologia, e ela é pútrida, dolorida. Dói porque o limbo racial é real, não se é nada, nada mesmo, nem preto nem branco, apenas algo, um entremeio, linhas de um lugar a outro, sem ponto de saída nem de chegada.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 2
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%