Kant (Descobrindo a Filosofia #03) - A revolução copernicana na Filosofia

    Joan Solé

    Salvat
    2017
    145 páginas
    4h 50m
    ISBN-13: 9788447103928
    Português Brasileiro

    Com Immanuel Kant (1724-1804), a filosofia entra na maioridade, inaugurando a etapa contemporânea. Livre dos últimos rastros de medievalismo que ainda se arrastavam no século XVIII, situa o homem histórico no centro da reflexão, empenhado em incidir no processo do seu destino através da razão. Kant representa o apogeu do ideal iluminista, e abre caminho à totalidade do pensamento humanístico posterior, que, inclusive quando não aceita as ideias kantianas, move-se no espaço delimitado por ele. O presente livro centra-se nos dois aspectos mais duradouros e influentes da obra kantiana: a teoria do conhecimento, com a célebre «revolução copernicana», e a ética, cujo vigor se resume na contundente afirmação do que o homem deve fazer enquanto ser racional e livre.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (2)Ver mais
    Fabio Nunes picture
    Fabio Nunes23/05/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Kant: a revolução copernicana na filosofia - Joan Solé Editora: Salvat, 2015 “Não é exagerado dizer que, se na cronologia da história geral, empregamos as siglas a.C e d.C para delimitar as eras anterior e posterior ao nascimento de Cristo, na história específica da filosofia, poderiam ser utilizadas a.K e d.K para diferenciar a época que precede e a que se segue a Kant, tão decisiva é a sua obra para o pensamento.” É com as palavras do próprio Joan Solé que eu inicio a resenha deste excelente livro introdutório ao pensamento de um dos meu filósofos preferidos: Immanuel Kant. E de fato, pobre do filósofo que veio antes de Kant – pois seu sistema de pensamento tornou-se ultrapassado –, e pobre do filósofo que veio depois dele e quis deixar uma marca na história do pensamento humano – só poucos o puderam. Nessa excelente edição da editora Salvat Joan Solé tenta a tarefa de nos tornar palatáveis as ideias e conceitos de Kant. Só pela tentativa já valia o aplauso. E ele consegue (ok, ok, mesmo mastigados alguns conceitos continuam complexos). Aliás, me causa estranheza tão poucas pessoas conhecerem a série de publicações que a editora colocou no mercado sobre diversos filósofos – recomendo a procura a quem se interessar. Quanto ao livro em questão, o autor perpassa a nada empolgante e muito rotineira biografia de Kant, mas mostra a extraordinária capacidade de pensamento dessa que, sem dúvidas, foi uma das grandes mentes da humanidade. Além disso, como não poderia deixar de ser, nos apresenta as ideias principais do filósofo e os porquês de essas ideias terem sido tão revolucionárias na história do pensamento. A primeira delas já deu uma marretada nos racionalistas europeus e nos empiristas britânicos, provocando uma revolução do conhecimento: “Até agora, vocês pensavam que o vidro fosse transparente e que viam as coisas tal como elas verdadeiramente são, que a única coisa que se tinha de fazer era mantê-lo limpo de pó e de excrementos de pombo e evitar que ele embaciasse. Mas não. O que vocês vêem e compreendem é o produto das operações da vossa sensibilidade, do vosso entendimento e da vossa razão e, para que isso fique claro, coloco-vos aqui um vidro translúcido.” Kant é o primeiro a defender a ideia de que não há mais concordância entre sujeito e objeto, mas sim subordinação deste último ao sujeito. Entende que é indiscutível a existência permanente da realidade exterior ao sujeito, a que ele chama coisa em si, mas adverte que essa realidade não nos é dada a conhecer tal como é, apenas na sua derivação registrada pela nossa sensibilidade. “Nem a percepção sensível nem o entendimento, por si só, podem dar conhecimento: a primeira fornece conteúdos sem forma (caos); o segundo, formas sem conteúdo (ilusões).” Além do campo do conhecimento, Kant também desenvolve um admirável sistema ético, que coloca o ser racional em seu cerne. Elabora o conceito de imperativos categóricos, como uma forma válida e obrigatória para todos os seres racionais, independente de qualquer condição. “Age apenas segundo uma máxima tal que possas, ao mesmo tempo, querer que ela se torne lei universal.” “Age de tal maneira que use a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio”. Nas palavras de Solé: Segundo Kant, o ser humano pertence, simultaneamente, a um mundo sensível e a um mundo inteligível. No primeiro, ele está submetido às leis de uma causalidade externa e às pressões dos apetites, às paixões e ao acaso; no segundo, ele é um ser racional e livre, rege-se por uma vontade boa e é capaz de promulgar e de impor a si mesmo máximas e princípios morais universais. Quando se trata do valor moral, o que importa não são as ações exteriores que se veem, mas os princípios internos da ação, que não se veem. Daí surge o conceito de liberdade para Kant: a capacidade de reger-se pela razão. Agir por dever é ser verdadeiramente livre. Suas reflexões morais levaram-no à criação de um sistema ético que não mais necessitava da existência de deus ou da imortalidade, e exatamente por isso Kant recebe algumas críticas, ao inserir à força, mesmo assim, o conteúdo de sua educação religiosa. “Parece mais de acordo com a natureza humana e com a pureza da moral fundar a expectativa do mundo futuro na experiência de uma alma virtuosa do que fundar, pelo contrário, a atitude moral dessa alma na esperança de outro mundo”. “Tive de suprimir o saber para encontrar lugar para a crença.” Até Kant, os pensadores que aceitavam a dimensão religiosa da existência subordinavam-lhe a dimensão moral do ser humano. Em Kant, a moralidade funda a religiosidade, e não o contrário. Longe de ser imune a críticas, seu sistema de pensamento tem consequências no mundo ocidental até hoje. Enquanto ele, numa quarta-feira qualquer do século XVIII estava revolucionando o mundo com sua mente, nós aqui temos de lidar cada vez mais com nossas próprias ignorâncias. “Não é um tempo agradável para as pessoas conscientes. Nem é agradável descobrir que, por educação e, talvez, por natureza, estejamos pouco preparados para fazer frente a esta imensidão de problemas. Nesse contexto de naufrágio e de sobrevivência precária, qualquer recurso revigorante é uma ajuda importantíssima. E os longos séculos da filosofia não nos deram uma visão mais forte da nossa dimensão moral do que a descoberta por Kant.” Joan Solé.

    7 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 11
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%