Um autor da grandeza de Plínio Marcos tem o direito de ter o conjunto da sua obra publicada de maneira correta e fidedigna, e foi exatamente esse o primeiro objetivo e a principal preocupação deste trabalho: dar a público uma edição absolutamente confiável do texto das peças de Plínio Marcos, baseada sempre na última modificação feita em vida pelo autor. (texto da orelha, Alcir Pécora) O terceiro volume de Plínio Marcos: Obras Teatrais: Pomba roxa reúne as peças cujo núcleo de conflito é produzido em torno da personagem da prostituta, concebida em seus vários ambientes — a saber, principalmente, o quarto de pensão, o bordel, as ruas e o cabaré —, e em suas situações típicas — as agruras do ofício, com suas doenças, vícios, espancamentos; as contradições entre a exploração comercial e o amor do cafetão; as taras e carências dos clientes; a constância do suicídio; o precário glamour; a esperança de deixar a prostituição; as dificuldades da gravidez e os sacrifícios para criar filhos; a decadência física etc. Nesses termos, fazem parte deste volume duas das peças mais bem-sucedidas de Plínio Marcos: Navalha na carne, de 1967 — cuja protagonista, a prostituta Neusa Sueli, é provavelmente a personagem mais célebre de toda a sua dramaturgia —, e O abajur lilás, de 1969. Além dessas duas peças extraordinárias, o volume inclui também Querô, uma reportagem maldita, de 1979, texto que foi inventado por Plínio Marcos como peça de teatro três anos depois de tê-la concebido como novela. Embora não tenha exatamente uma prostituta como protagonista, Quero, ainda mais a peça que a novela, envolve a prostituta tanto no argumento central como no desfecho do conflito, o qual, de resto, é desenvolvido por ações quase todas situadas entre o bordel e o cabaré. (de Pomba roxa, Alcir Pécora)

