Albano, funcionário bancário, viúvo e com uma filha pequena, apaixona-se por Cecília e, apesar das diferenças de classe que existem entre os dois, casam. A suspeita de infidelidade, porém, evidenciará o seu verdadeiro carácter. O ciúme, a irracionalidade e um sentido de honra distorcido, precipitarão os acontecimentos à medida que Albano procura justificar os seus actos. Elogiado de imediato pela crítica como «empolgante romance psicológico», que conjuga «dramatismo equilibrado, concisão, rigor descritivo e aquele sentido trágico da vida, sem excluir a ironia e o sarcasmo», em A Tempestade, Ferreira de Castro transita com mestria das grandes paisagens de A Selva ou Terra Fria para a dimensão fechada do espaço doméstico citadino, denunciando, com «compreensão humanista», as suas fragilidades psicológicas e, sobretudo, a desolada condição da mulher e o mesquinho espartilho moral que a sociedade lhe impõe.
A Tempestade -
Ferreira de Castro
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José Maria Ferreira de Castro
José Maria Ferreira de Castro (1898 - 1974) é uma das figuras cimeiras da literatura portuguesa. Publica, em 1928, o romance Emigrantes e A Selva em 1930, acompanhados de estrondoso êxito internacional, onde a literatura portuguesa pouca expressão tinha. Seguir-se-á, a um ritmo regular, a publicação de outros romances: Eternidade (1933), Terra Fria (1934), A Tempestade (1940), A Lã e a Neve (1947). No período imediato ao pós-guerra, Ferreira de Castro torna-se um dos autores mais lidos em Portugal e no estrangeiro. Nos anos cinquenta publica o romance A Curva da Estrada e, entre outras obras, a famosa novela A Missão. De 1968 data o romance O Instinto Supremo, onde o autor regressa, quase quatro décadas depois de A Selva, ficcionalmente à selva amazónica. Ferreira de Castro foi, diversas vezes, proposto para o Prémio Nobel e, outras tantas, recusou sê-lo, em prol de outros escritores portugueses.
