Pascal menos Religião igual a Psicologia(?)
Pascal é um apologista do cristianismo e seus últimos 8 anos de vida foram dedicados a defender e fundamentar a fé cristã. Desconsiderando esse fato, sua filosofia é muito interessantes nos aspectos que tratam sobre o ser humano e a sociedade. O livro não trata da fase científica de Pascal, apenas de sua filosofia. Ele era um cristão ativo e acreditava que o cristianismo era a única possível liberação para o ser humano. Contudo, descontando isso, sua visão sobre a condição humana poderia até ser considerada como precursora da psicologia. SOBRE A CONDIÇÃO HUMANA: Sem sombra de dúvidas esse aspecto da filosofia de Pascal foi a que mais me chamou a atenção. Para ele, ao tomarmos consciência de nossa natureza falha, miserável e mortal atingimos o estado de INFELICIDADE onde nada pode nos consolar. Para compensar isso, nós buscamos com todo nosso empenho o DIVERTIMENTO, como um esforço para que fujamos do processo de reflexão sobre nossa infelicidade. A busca pelo divertimento é um esforço intenso do ser humano, pois somos incapazes de lidar com a verdade do nosso próprio eu e estarmos sozinhos nos causa "a tristeza, a aflição, o despeito e o desespero" - a isso ele chama de TÉDIO (ennui, em francês). Diferentemente do tédio que conhecemos, o tédio de Pascal "é a doença de que sofre todo aquele que, ao refletir em demasia, percebe o absurdo de sua existência". E para evitarmos o tédio nos empenhamos a correr atrás de falsas promessas de felicidade, e uma após a outra, essas buscas nos leva unicamente à frustração. Assim, o não saber lidar com a própria insignificância do eu, o homem corre incessantemente em busca do divertimento. Esse processo de fuja nos faz substituir nosso eu REAL por um eu IMAGINÁRIO que tenha todas as qualidades que admiro e nenhum dos meus defeitos que detesto e assim vamos nos apresentando como "uma farsa tão talentosa quanto possível, a fim de que, após muito inebriar a plateia, possamos ao som dos aplausos dissolver-nos no personagem e esquecermos de nossas pretensões inconfessáveis, de nosso ODIOSO eu".
