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"Recomeço à francesa" nos apresenta Mel, que trabalhava na Madame Bovary, a padaria da família do noivo, numa cidade do interior de São Paulo. Além disso, Mel fazia tortas de pote para juntar dinheiro pro tão sonhado casamento. Imagem o choque que ela levou ao descobrir que era traída pelo noivo? Tentando ajudar a levantar o astral da irmã, já que Mel estava sem perspectiva de futuro por até então viver voltada para os planos do casamento, Cecília, uma advogada mochileira, convence Mel a ir para Paris como au pair, onde as duas poderiam trabalhar como babás na casa de uma brasileira por alguns meses. Em Paris, Mel acaba sendo convidada para participar do programa Guerra de confetes, um realitty show de confeiteiros do qual ela era fã. E com isso veremos como Mel reencontrará o seu amor próprio, a vontade de estimular o seu talento com os doces e de traçar planos para si mesma. Esse tempo na França também fará bem para Cecília, uma mulher que nunca conseguia se fixar em um lugar por muito tempo e que, como a irmã, já havia vivido uma decepção amorosa e fechado seu coração. "Diferente de uma dupla na competição, ele era... ah, o que ele era afinal? Talvez ele fosse a pessoa que faria Mel parar de dar valor aos nomes nas relações. Meu namorado, meu noivo, meu marido, tudo tinha pronome possessivo, tudo girava em torno de mudar sua vida para encaixar alguém, e agora ela não estava disposta a mudar nada. Pierre era apenas Pierre, e isso o suficiente, assim como ela era suficiente para si mesma." "Recomeço à francesa" tem cerca de cem páginas e é uma leitura super rápida, mas muito boa! É impressionante como a Katherine consegue dar destaque para cada personagem e torná-lo encantador, por menor que seja a participação dele na história. Por exemplo: a união da mãe da Cecília e da Mel com as irmãs dela, a senhora para quem Mel vende seus doces em Paris e que é responsável por fazê-la ser cotada para o realitty show, a mulher com quem as duas vão trabalhar como babás e que vive o dilema de ser muito bem sucedida na carreira e por isso não ter tanto tempo para ficar com os filhos. Assim como em "Garotaausten.com", o conto da Katherine Salles na antologia "Querida Jane Austen, uma homenagem", aqui novamente a autora mostra o seu talento para criar personagens reais, com os quais a gente se identifica. Se não bastasse tudo isso, ainda temos a ótima escrita da Katherine e a junção de duas coisas que eu amo: Paris (é muito fácil se sentir nos locais onde a história se passa, graças à narração) e realitty show de confeitaria (sou viciada neles!). Fica a minha recomendação para que vocês façam essa leitura deliciosa também!

