Umberto Eco publicou seu primeiro romance, O nome da rosa, em 1980, quando tinha quase 50 anos. Nestas Confissões de um jovem romancista, escritas quase trinta anos depois de sua estreia na ficção, o autor rememora sua longa carreira como teórico e os principais trabalhos como romancista, refletindo sobre os processos que utiliza ao escrever ficção. Originalmente, os quatro ensaios do livro foram parte do programa Palestras Richard Ellmann sobre Literatura Moderna, na Universidade Emory, em Atlanta, Estados Unidos. Ao mesmo tempo medievalista, filósofo e estudioso da literatura contemporânea, Umberto Eco se mostra um "jovem romancista" que ainda surpreende ao ensinar sobre a arte da ficção e o poder das palavras.
Confissões de um jovem romancista -
Umberco Eco
ESCREVER UM LIVRO NÃO É QUALQUER COISA
É inegável que o Umberto Eco foi um dos autores mais geniais da nossa época, e os dois romances que eu li (Número zero e O nome da rosa) foram suficientes para me tornar um grande admirador do seu trabalho. Eu já conhecia o seu trabalho antes mesmo de ler os livros porque na minha adolescência o filme O Nome da Rosa estava com um grande hype e era usado como material didático no ensino fundamental, e lembro perfeitamente que achei incrível aquela história de monges sendo envenenados — eu não vou dizer como tudo acontece, mas se você ainda não leu O nome da rosa... LEIA! —. Tive que relê-lo alguns anos depois com um pouco mais de bagagem intelectual para entender a trama e os seus muitos detalhes históricos, porque na primeira leitura eu achei o enredo parecido com o estilo do Dan Brown e esse pensamento me acompanhou durante todo o tempo, uma referência da minha cabeça jovem daquela época e como percebi mais tarde, absurda. Mais do que uma simples biografia, Confissões de um jovem romancista é o relançamento da obra antes publicada pela Cosac, apresentando um registo das experiências do autor que foram recolhidas durante todos os 38 anos de carreira, o que de acordo com as suas palavras não era tanto tempo assim. Com esse pensamento Umberto Eco dá o título à obra, afinal, apesar dos seus 80 anos de idade, ainda se considerava um jovem no meio literário. Modesto, não? Eu tinha acabado de ler o Romancista como vocação do Haruki Murakami, outra ótima obra biográfica descrevendo os processos de escrita, experiências literárias e obstáculos durante esse longo — e árduo — caminho que obviamente varia de escritor para escritor, e foi uma experiência interessantíssima pôr os pontos de vistas desses dois autores lado a lado com as suas obras e literaturas completamente distintas. A primeira coisa que percebemos ao conhecer o processo de criação do Umberto Eco é que ele era extremamente perfeccionista, tão detalhista que passava anos e anos colhendo detalhes e amadurecendo uma ideia antes de começar a colocá-la no papel. Ele não queria simplesmente escrever livros, mas sim oferecer obras ricas e intrincadas que fossem lembradas e principalmente importantes, preenchendo-as com as referências do seu vasto conhecimento histórico. Eu nunca fui um leitor ávido de biografias ou não-ficção, mas recentemente me abri para esse gênero e confesso que estou adorando todas as obras que li até agora. Como autor, foi magnífico conhecer os pensamentos de outro escritor e os seus processos criativos; e como leitor, não existem palavras para descrever a importância de se conhecer melhor alguém que contribuiu tanto para a literatura como o Umberto Eco.
Estatísticas
Avaliações
3.7 / 208- 5 estrelas20%
- 4 estrelas35%
- 3 estrelas35%
- 2 estrelas9%
- 1 estrelas0%




