Em 1931, na Universidade de Frankfurt, Theodor Adorno proferiu sua conferência inaugural intitulada “A atualidade da filosofia”. Entre questionamentos sobre a possibilidade de o pensamento apreender a totalidade do real, a ontologia e o existencialismo, o neokantismo e a filosofia da vida, as ciências da natureza e a lógica científica, mais que um balanço sobre a filosofia de seu tempo, levantava a questão de uma possível aniquilação da filosofia. Esta, no entanto, permaneceria viva frente aos desafios decorrentes dos avanços das ciências particulares se assumisse como tarefa interpretar fragmentos para formar imagens legíveis que respondessem apenas temporariamente às suas próprias perguntas. Por mais estranho que possa soar, o dissonante programa adorniano para a sobrevivência da filosofia se aproximava de um projeto materialista dedicado a investigar os detalhes do cotidiano, os absurdos, os esquecimentos, aquilo que Freud chamou de escória do mundo dos fenômenos, ou que Marx identificara como os feitiços da forma mercadoria. A interpretação das imagens não simbolizadas e não intencionais da história seria uma importante tarefa da teoria crítica. A seriedade do materialismo estaria no fato de que tais imagens não deveriam se fazer presentes apenas no conhecimento, mas na práxis e na criatividade da ars inveniendi. Diante dos que poderiam refutar suas ideias, Adorno defendeu o direito de existência da teoria crítica não por sua irrefutabilidade, mas por sua fecundidade. Nosso dossiê se propõe a uma paráfrase reflexiva da pergunta adorniana: quase um século depois, numa atualidade filosófica cujo cenário se compõe de virada linguística, pós-estruturalismo, pós-modernismo, neopragmatismo, a teoria crítica está em processo de aniquilação ou se faz ainda fecunda?
Ideação - Dossiê Teoria Crítica
não informado
UEFS
2018
243 páginas
8h 6m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Edições (1)
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