Ninfas do Tietê -

    Natália Nolli Sasso

    Editora Moinhos
    2018
    60 páginas
    2h 0m
    ISBN-13: 9788592579814
    Português Brasileiro

    A paixão parece a cidade em seu movimento, caótico. Uma paixão nunca pressupõe a calma de um lago, um entardecer em uma praia, um vento bucólico em uma colina verde, sempre verde, enfeitada de carneirinhos, como uma linda pastora Marília. A paixão parece mais com o trote de cavalos, o rufar de mil tambores, mil buzinas, mil estrondos de motores de automóveis. As ninfas de Natália Nolli Sasso não são simples deusas da arte do amor, elas se assemelham mais com arautas, valquírias da paixão, atemorizantes, cheias de fogo de vida, sem tempo para os detalhes dos acontecimentos. As Ninfas do Tietê transam no meio da rua, acendem um cigarro, quebram uma garrafa de cerveja para se protegerem de bêbados pilantras. Caso você queira adentrar as marginais que te levam até as águas das Ninfas do Tietê, não lhe será garantido segurança alguma, nem lhe será oferecida águas claras de uma inocente menina Narizinho. Aqui não há princesas nem príncipes, há apenas Ninfas bélicas, belas, potentes, como uma canção de rock.

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    @psi.adriana.scarpin picture
    @psi.adriana.scarpin31/05/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Não tenho nem palavras para a genialidade dessa mulher, esse livro é uma obra-prima de cabo a rabo, só vou deixar esse petardo aqui: <i>"Canto Oitavo Quando eu chamar, venha, não faça barba, não demore, não se encolha não core. Quando eu disser venha, não vacile, nem se assanhe venha e me tenha. Porque eu tenho medo que a morte me apanhe de saias curtas botas altas unhas negras ou talvez pelada, desavisada, debaixo do chuveiro. De anéis grossos cabelos semipresos na rua escura acuada, sem documentos, nesta cidade agitada e sem sentimentos. Eu tenho medo que o tempo me arranhe. Que a vida me queime a pele e vire para fora minhas golas fechadas pro frio. Pro vento. Tenho horror que a espera desbote meus dentes retire o brilho dos meus mamilos de dentro da sua boca debaixo dos teus beijos me deixe cansada de olhos baixos falando queixas com as coxas fechadas. Tenho medo que a gente nunca mais seja nada. Que o esquecimento nos faça desconhecidos que o aquecimento global nos deixe como peixes frios que o pão passe do ponto no forno e a música entre fora de hora na pista ou eu entre pra tua lista e que eu desista de vez de teu corpo que assista na tela apagada um filme que já não me diz mais nada. Tenho pavor que de novo aconteça de levar da porta um baque do carro um arranque e que você se tranque para sempre numa bruma numa bolha numa roubada. Tenho pesadelos, filmes que parecem sonhos tenho dias tristonhos. Medo que eu deixe de andar e seja pra sempre uma mulher alada e descabelada talvez só e sentada na escada que leva até o final de uma rua e que eu não seja mais tua que eu, surda já não ouça o vazio de teu estômago a confusão de teus pensamentos. Que eu me perca entre melodias e contratempos. Que a gente se derreta de suor que a gente não inverta os papéis que a gente vire um thriller de horror que a gente não se divirta jamais e que eu me converta em algo sem pena, sem dor, sem gozo, e sem mais. Tenho raiva que de repente tudo isto passe a ser somente respeito entre a gente e eu me deite de olhos cerrados ao teu lado e você já não exista e ainda insista em falar coisas desconexas enquanto se revira nos lençóis e esqueça que nós dois nós pois estamos mais que vivos sob o céu e cobertas. Quando eu chamar, venha e me tenha."</i>

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