Gantz Omnibus Volume 1 -

    Hiroya Oku

    Dark Horse Manga
    2018
    672 páginas
    22h 24m
    ISBN-13: 9781506707747

    An erotic, science-fiction horror epic, Hiroya Oku's Gantz is a sensation in Japan, setting the bar for outrageous, shocking, and bizarre manga, not for children or the easily offended! Over 650 pages of mayhem and madness Tokyo teens Kei and Masaru are struck dead by a subway train but awaken in a room with an ominous black orb that gives them weapons, suits . . . and orders. Fighting and endless stream of bizarre alien monstrosities in a deadly game, will they win their freedom or die for the final time?

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    Igor Alves03/06/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Apesar de não ser um número tão grande, 383 capítulos demoram um bom tempo para serem lidos, ainda mais quando se fala de uma mídia tão complexa quanto o mangá, mas finalmente tenho algo relativamente novo para escrever: finalmente chegou a hora de Gantz. Gantz é um mangá escrito por Hiroya Oku e publicado na Weekly Young Jump a partir de julho de 2000 e tendo seu último capítulo publicado em 25 de junho de 2013. Em termos gerais, conta a história do adolescente Kei Kurono, de 15 anos, que morre atropelado pelo metrô junto de um amigo, Masaru Katou, ao tentar salvar um bêbado que tinha caído nos trilhos. Após isso, os dois são transportados para uma sala para participar de um jogo sanguinário, violento e competitivo, comandado por uma “esfera negra” chamada Gantz. Quando os dois acordam na sala (de um apartamento comum em Tokyo) dão de cara com um grupo bem variado de pessoas, todos vítimas de mortes recentes e violentas e são obrigados a caçar “aliens” para sobreviver. Eles ainda estão vivos? Ou estão no céu (ou inferno)? Por que eles? O que é essa esfera? Essas são algumas das perguntas que impulsionam a história e não são nem um pouco simples. Dada a premissa inicial do mangá, é interessante citar algumas diferenças entre os gêneros para situar melhor a obra. No Japão, os mangás são divididos em diversos gêneros, mas quatro deles podem ser considerados os principais: shounen (ou shonen) são voltados para o público masculino mais jovem, geralmente entre 12 e 14 anos, mas alcançam um público de quase todas as idades, tais como Naruto, One Piece ou Dragon Ball; shojo (ou shoujo) são voltados para o público feminino entre 12 e 18 anos, e seu representante mais icônico no ocidente é Cardcaptor Sakura; depois temos o josei, voltado exclusivamente para o público feminino adulto, com histórias mais maduras e sérias, tais como Nodame Cantabile; a sua contraparte sãos os seinen, mangás voltados para o público adulto masculino, geralmente marcados pela liberdade com que retratam a violência e temas polêmicos sem censura, e é aí que entra Gantz. É importante ressaltar, no entanto, que esses nomes são apenas rótulos editoriais, nada impede, nunca impediu e nem impedirá mulheres de lerem shonen e seinen e o mesmo vale para homens lendo shoujo e josei, até porque não tem nada demais nisso. Mas voltando ao assunto, Gantz é um seinen pesadíssimo. Cenas de sexo e nudez (essas últimas são bem frequentes nas capas dos capítulos iniciais, apenas fan service mesmo) são tratadas com naturalidade e, embora não sejam explícitas, mostram que essa não é uma obra para crianças. A violência no mangá, embora não seja caricata, não tem um pingo de censura, o que é visto logo no primeiro capítulo quando os protagonistas são atropelados por um metrô. A imagem não é cortada ou eles aparecem diretamente na sala, muito pelo contrário: quando o trem os alcança, é uma bagunça anatômica, membros e sangue pra todo lado: não é bonito de se ver, assim como não o é na vida real. Sim, essa é uma obra de ficção científica séria e detalhada (e genial também), mas o Hiroya Oku usou esse veículo para fazer uma das melhores, mais sérias e cruas críticas à sociedade capitalista pós-moderna com toda a sua crueldade, especialmente sobre o que se passa no Japão. Desde violência e abandono infantil, passando pela objetificação e abuso histórico da mulher no Japão, até mesmo bullying e abuso sexual de jovens nas próprias escolas, há pouca coisa que Gantz deixa passar. Apesar desse alcance crítico enorme, o aspecto mais fascinante desse mangá é seu lado filosófico. Questões existenciais particulares de cada personagem coexistem com perguntas mais sérias sobre a natureza da vida e a existência de um “Deus”. Matar é correto? É a única saída? Mesmo que seja a única chance de sobreviver? Essas perguntas são feitas ocasionalmente pelos personagens. Falando neles, temos Kei Kurono (Kurono Kei no original, sendo Kei o primeiro nome dele), o protagonista. Logo de cara, percebe-se que ele foge de qualquer generalização: longe de ser um herói, é só mais um adolescente comum de ensino médio (15 anos quando morre), com alguns problemas familiares, preocupado em arranjar uma namorada e com o que vai preparar para jantar (ele mora só) e que preocupa-se apenas consigo mesmo, pelo menos inicialmente. Acompanha-se então uma das melhores progressões de personagem que já vi até hoje, seu amadurecimento em um passo a passo nada ortodoxo, triste, divertido às vezes, e super violento. Na verdade, todos os personagens de Gantz passam por isso e olha que é um elenco bem extenso, mas falar de todos daria alguns spoilers imperdoáveis até para o mais tolerante. Tecnicamente, a obra é impecável. Hiroya Oku foi um dos primeiros mangaka (autores de manga para quem não sabe) a usar tanto desenhos tradicionais feitos à mão quanto planos de fundos e objetos digitais, resultando em um visual bem cyberpunk e prático para a tecnologia da obra. As cenas de ação são de tirar o fôlego, a velocidade e intensidade é sentida a cada quadro (sim, é um mangá, mas só lendo pra entender o que estou falando). E já mencionei o quanto os itens que a esfera negra Gantz fornece são fantásticos? O design dos “aliens” também é genial: se fosse comparar, poderia dizer que lembram um crossover das obras de Salvador Dali com Portinari e Magritte, perturbadores mas ainda assim familiares. Gantz é uma daquelas raras leituras que mudam a visão do mundo do leitor, definitivamente é algo que merece ser lido. No entanto, como parte do povo sofrido que teve que esperar intervalos de mais de 15 dias (houve um hiato de de três meses certa vez, foi cruel) entre as publicações de cada capítulo novo, recomendo que leiam a obra toda de uma vez - está disponível em vários leitores online, mas o ideal mesmo seria adquirir os volumes, publicados no Brasil pela Panini ou em inglês pela Dark Horse - mas estejam preparados: apenas comecem a ler quando houver muito tempo livre, uma vez que foram treze anos de publicação e a história tem um ritmo próprio e bem viciante.

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