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    A Pele -

    Curzio Malaparte

    Autêntica Editora
    2018
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788551304082
    Português Brasileiro
    4.1
    16 avaliações
    Leram21Lendo2Querem96Relendo0Abandonos3Resenhas5
    Favoritos2Desejados96Avaliaram16

    Nas ruas miseráveis de uma Nápoles em ruínas, quando o exército aliado expulsou dali os alemães, a libertação é apenas outra palavra para desespero. A prostituição é desenfreada. O cheiro da morte está em todo lugar. Tudo supervisionado por americanos que, na sua ingenuidade, não entendem exatamente por que estão ali. Lançado em 1949, já em 1950 vieram as sanções: a “proibição moral de Curzio Malaparte” pelo Conselho Comunal de Nápoles e a inclusão do livro no Index dos livros proibidos pela Congregação do Santo Ofício. Em 1962, a publicação no Brasil se deu como celebração. Na apresentação daquela edição, diz Ênio Silveira: “Uma obra prima de violência, de crueldade, de degradação e, ao mesmo tempo, de louvor à condição humana”. Hoje são apontados, para além dos pecados originais, os da incorreção política. O livro nasceu ambíguo como o próprio autor, que deixou resposta no personagem Jack Hamilton: “Não há qualquer importância se o que Malaparte conta é verdadeiro ou falso. A questão a ser posta é bem outra: se o que ele faz é arte ou não”.

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    Valéria Cristina Ribeiro picture
    Valéria Cristina Ribeiro23/06/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Visceral

    Alguns livros acerca da 2ª Guerra Mundial tendem a romantizar algumas passagens desse conflito. Definitivamente, esse não é o caso de “A Pele”. Tendo recebido proibição moral pelo Conselho Comunal de Nápoles e a inclusão no Index dos livros proibidos pela Congregação do Santo Ofício, esse livro é visceral. Não se trata de história de batalhas sangrentas, de episódios de conquistas territoriais. Aqui a batalha é de outro naipe. Em 1943, os aliados chegam à Itália como libertadores. Mussolini, preso por ordem do Rei italiano marca a derrota italiana. Esse é o cenário que Malaparte usa para sua narrativa, onde é ao mesmo tempo autor e personagem. Em uma Nápoles devastada pela guerra, ele conta como a “liberdade” pode assumir outras faces. A pobreza absoluta, a fome, as doenças, o medo, o desespero levam à prostituição desenfreada, à delação, ao comércio ilícito, tudo alimentado pela força de “libertação” americana. A situação é chamada de “a peste”. Ao percorrer as ruas de Nápoles em companhia do Coronel Jack, americano do exército de ocupação, Malaparte se depara com a absoluta dissolução dos valores: mulheres negociando crianças, vendendo o corpo e tudo o que pode ser mercantilizado. Homens agindo na mesma forma. Antros onde tudo isso ocorre proliferam pela ancestral e bela cidade italiana. Vemos ainda a decadência da juventude, a humilhação pela qual passam os ditos “libertados”. O contraente entre plebe e nobreza também é evidenciado neste livro necessário, cuja linguagem é melancólica e irônica. A chegada à Roma e Florença também é descrita de forma intensa e, embora crua, poética. Há diversos episódios dos quais não conseguimos nos decidir por sua veracidade. Todavia, isso é resolvido pela fala de Jack: “Não há qualquer importância, disse Jack, se o que Malaparte conta é verdadeiro ou falso. A questão a ser posta é bem outra: se o que ele faz é arte ou não. Kurt Erich Suckert, mais conhecido pelo pseudônimo Curzio Malaparte (Prato, 9 de junho de 1898 – 19 de julho de 1957) foi um escritor, jornalista, dramaturgo, cineasta, militar e diplomata italiano. O sobrenome de seu pseudônimo (por si usado desde 1925), significa em italiano "parte má", sendo um trocadilho com o nome de família de Napoleão Bonaparte - que significa, em italiano, "parte boa".

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    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas6%
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    Kurt Erich Suckert

    Kurt Erich Suckert, mais conhecido pelo pseudônimo Curzio Malaparte foi um escritor, jornalista, dramaturgo, cineasta, militar e diplomata italiano. O sobrenome de seu pseudônimo (por si usado desde 1925), significa em italiano "parte má", sendo um trocadilho com o nome de família de Napoleão Bonaparte - que significa, em italiano, "parte boa".

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