O começo de "Inuyashiki" foi um começo forte: apesar da premisa que saiu direto da ficção científica, a discussão imposta por Ichiro Inuyashiki e Hiro Shishigami a respeito do que é ser humano e do que uma pessoa seria capaz de fazer com poderes quase ilimitados se iniciou belamente. Enquanto que o personagem titular sente-se realizado ao salvar pessoas, sua antítese assassina pessoas desconhecidas para se sentir vivo.
Ao longo do mangá, fica claro que a índole de ambos não foi alterada devido ao acidente que os transformou em robôs. Inuyashiki sempre preservou a vida e bem-estar, colocando até mesmo os seus próprios em perigo; Shishigami sempre teve uma atitude fria diante do próximo, questionando o valor de sua existência. Eu diria que o ápice do mangá é atingido quando há o primeiro encontro entre ambos, enquanto testemunhamos uma cena violentíssima praticada por Hiro. Ichiro é forçado a encarar que talvez tenha que destruir o rapaz, e Shishigami fará o possível para continuar fazendo o que quer.
Infelizmente, como é comum com esses tipos de mangás, os criadores se tornam muito envolvidos nos massacres sem motivo e personagens "frios e calculistas". A história foi prejudicada em favor de uns 3/4 volumes só de Hiro sendo uma máquina assassina enquanto Ichiro fica fora de cena. Depois que descobri ser o mesmo mangaká responsável por "Gantz", as peças caíram no lugar (aliás, ter um otaku obcecado por Gantz no seu mangá é bem egocêntrico.)
Enfim, o final de Inuyashiki não é clímax. Ele parece mais um jeito fácil e preguiçoso de se desfazer de dois personagens extremamente superpoderosos em um pano de fundo realista e comum. Pelo menos podemos dizer que o gostinho final é do altruísmo sempre presente de Ichiro.