Em torno de Hilda Hilst -

    Nilze Maria de Azeredo Reguera, Susanna Busato

    Editora UNESP
    2015
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-10: B01MG1AW8V
    Português Brasileiro

    Quem tem medo de Hilda Hilst? O dado de provocação dessa pergunta ainda se faz presente, passados mais de dez anos de sua morte, em 2004. A escritora, poeta e teatróloga, nascida em Jaú, em 1930, ganha nestes últimos tempos uma nova leitura e um interesse crescente por sua obra. Em torno de Hilda Hilst é um livro que se situa no panorama da leitura atenta, sensível e curiosa da obra da autora, reunindo pesquisadores do Brasil e do exterior, amantes dessa chama inquieta que é o texto literário que a escritora paulista tão bem soube manter quente e acesa ao longo dos 47 anos de trabalho exclusivo com a literatura. Os leitores que enfrentam o jogo fornecido pela escritora não saem ilesos do ousado universo literário que ela tão bem explorou e que vai do sacro ao metafísico, passando pelo erótico e pelo campo do amoroso e sublime desejo da morte, sem deixar de se lançar ao combativo discurso político e social.

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    Marcos da Silva Nandi09/06/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É muito bom revisitar a obra da minha autora favorita. Em torno de Hilda Hilst é uma coleção de ensaios sobre a obra completa da autora. E já começa muito bem com o maior especialista na autora (na minha opinião), que desenvolve uma crítica sobre o teatro e as crônicas de Hilda, considerada como uma obra "menor", mais considerada no exterior do que no Brasil. Desde seu teatro que foi pouco montado, talvez por ser abstrato demais e sua crônica, usado fortemente para divulgar sua prosa e poesia. O segundo texto, fala sobre o nascimento da dramaturgia feminina durante a ditadura. O texto aborda duas peças da autora, e como ela flertava com o conceito de obra aberta cunhada pelo Humberto Eco. Os ensaios vão falar sobre os temas mais recorrentes na escrita da Hilda como morte, Deus, pai, velhice, sexo e aristocracia libertina. A questão libertina, em especial, quando Hilda foge da "literatura séria" e entra na bandalheira. Neste sentido, a obra dela é una, já que seu lirismo desemboca num obsceno, que é algo exagerado e desconfortável. Além disso, os ensaios falam do seu fluxo de consciência (diferente de Woolf e Joyce), e como é difícil traduzir sua obra. Hilda é minha autora favorita, mas alguns textos são bem cansativos e redundantes. Me irritou os parágrafos não traduzidos do inglês e não ter a biografia de cada ensaísta no início de cada texto. Mas eu gostei que tem textos escritos por autores estrangeiros.

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