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    Lâmina (Coleção Identidade) -

    Flávio Izhaki

    Amazon
    2018
    20 páginas
    40m
    ISBN-10: B07KY58LZ3
    Português Brasileiro
    3.8
    17 avaliações
    Leram21Lendo0Querem2Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados2Avaliaram17

    Um soldado polonês foge do exército russo e entra na casa de uma viúva. Os dois desenvolvem uma relação secreta de cumplicidade e afeto enquanto esperam o desfecho inevitável. “Poderia ter morrido”, pensa. O coração bate acelerado, as veias do pescoço pulsam nervosas. Ele está tão tenso que teme desfalecer, mas apenas anda de lá para cá dentro de um cubículo escuro que não tem um metro de largura ou comprimento. De fato não anda, quica. Escuta o barulho de uma porta sendo esmurrada. Vão achá-lo. Uma voz em russo berra qualquer coisa. Ele não entende quase nada de russo, mas sabe reconhecer a língua. A mulher responde em polonês, baixinho. É a língua dele, mas os sons não formam palavras, apenas murmúrio. O russo, não. É um tom grave e mesmo sem entender ele sabe o que é: estão atrás dele, viram-no entrar ali. A voz aumenta de tom. Ele não quica mais. Congelado, o único som que escuta é o do coração batendo forte demais, tum-tum tum-tum tum-tum vibrando na orelha. Ele está num quarto, lembra apenas que entrou no apartamento de andar térreo e a mulher disse se esconda ali, e ali era apenas uma cama de viúva ou um armário. Escolheu o armário. A cama é arrastada. Vai ser agora. Vão achá-lo. Mas de repente mais um berro em russo e o silêncio posterior. O silêncio é melhor que o berro, mas ainda assim não se sente seguro. Não anda mais de um lado para o outro, nem quica. Mas também não está congelado. Treme. “Poderia ter morrido”, pensa. De novo. Mas não pensou quando decidiu fugir correndo e entrar numa porta qualquer. A sorte foi que a mulher que a abriu foi rápida. E deixou-o entrar. E num átimo entendeu a situação e disse para ele se esconder. E que ele optou pelo armário e não por debaixo da cama. E que. E que. E que. Está vivo. Está livre, mesmo dentro de um armário pequeno, de madeira, cheio de roupas de uma velha. Mas agora que está vivo e livre, o que fazer? Não tem tempo de completar o pensamento, novamente passos, dessa vez o armário é aberto. Mas é a mulher. Eles já foram, ela diz, mas fique aqui dentro mais um pouco. Ele não responde. De novo o breu quase absoluto. Só agora percebe o quão escuro está ali, só uma fresta de luz entra pelo pequeno vão entre as portas que se unem para formar o armário. Não consegue divisar a mão, nem chegando a palma a centímetros do olho. A retina ainda não está acostumada. Lá fora era uma claridade absoluta de um dia de sol. Não estava quente, mas tudo parecia obscenamente azul. (...)”

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 01/03/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Armário

    Em formato digital e dedicada exclusivamente a contos inéditos, a Coleção Identidade é uma interessante iniciativa entre a Amazon e agências literárias para driblar a atual crise, já que ao excluir as editoras do processo de publicação, consegue disponibilizar e-books por um preço bastante sugestivo. Flávio Izhaki é um dos escritores selecionadis e seu texto , ?Lâmina?, faz parte da antologia ?Selvageria? organizada pela Riff. Contudo, ele também pode ser adquirido avulso ou emprestado pelo Kindle Unlimited, a opção que escolhi. Ambientado durante uma guerra, seu protagonista é um soldado polonês em fuga. Procurado pelo exército russo, ele acaba acolhido na casa de uma viúva miserável e solitária. Enquanto tenta encontrar um meio de escapar para um local seguro, ele passa a maior parte do tempo escondido num armário, evitando qualquer barulho que indique sua presença para a vizinhança. Paulatinamente, o vínculo entre eles vai se fortalecendo, mas até quando será possível viverem dessa maneira? Com um bom ritmo, a narrativa prende o interesse e encaminha-se para um final tenso que dá sentido ao título. Recomendo. Nota: * Se você não tem um Kindle, baixe o aplicativo gratuito de leitura da Amazon no seu tablet ou smartphone e boa leitura.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 17
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas0%
    Flávio Izhaki profile picture

    Flávio Izhaki

    Flávio Izhaki nasceu no Rio de Janeiro em 1979 e é autor de dois romances, De cabeça baixa (Guarda-chuva, 2008 )e Amanhã não tem ninguém (Rocco, 2013), o último eleito pelos jornais O Globo e Estado de S.Paulo como um dos melhores romances brasileiros do ano. Como contista, o autor já participou de oito antologias, entre elas Prosas Cariocas (Casa da Palavra, 2004), Primos – histórias da herança árabe e judaica (Record, 2010) e Wir sind bereit (Lettrétage, 2013), a última delas lançada em alemão por ocasião da Feira de Frankfurt em 2013. Sobre Amanhã não tem ninguém: “A maturidade literária faz de Flávio Izhaki muito mais do que uma jovem promessa da prosa brasileira. Coloca-o na trilha dos escritores nos quais precisamos prestar atenção.” Jornal O Globo “Amanhã não tem ninguém demonstra um amadurecimento extraordinário. No texto, as pontas do labirinto se atam com maestria, num dos mais impactantes romances brasileiros deste ano.” Jornal O Estado de S. Paulo Sobre De cabeça baixa: “De cabeça baixa, primeiro romance de Flávio Izhaki, mostra tal amadurecimento de linguagem que é facilmente entendível que o autor esteja sendo considerado uma promessa entre os jovens autores brasileiros.” O Globo “A narrativa é construída com frases simples, o que pode confundir despojamento com banalidade. Aí está refletido o esforço do romancista no sentido de captar o que resta das relações sociais, da própria vida das pessoas, que no final das contas acaba se resumindo a alguns detalhes só percebidos através da palavra escrita, que pára o tempo e impõe a reflexão.” Estado de S. Paulo “Nas arapucas intraliterárias, que falam da impossibilidade de não discutir literatura ao fazer literatura, o leitor encontra o sabor amargo do abandono, da desistência, da tristeza em meio a um mundo que nos obriga à felicidade. De cabeça baixa é uma pena que anota, às margens das páginas comuns do cotidiano, a difícil experiência da escritura hoje.” Correio Braziliense “O carioca Flávio Izhaki estréia com romance bem escrito sobre as agruras de um autor fracassado.” Valor Econômico Obras: Romances De cabeça baixa, 2008, Guarda-chuva Amanhã não tem ninguém (200 pags), 2013, Rocco Tentativas de Capturar o ar (224 págs.) - 2016, Rocco

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Flávio Izhaki