O Belo Caminho - História da homossexualidade no Japão

    Gary P. Leupp

    C33 Editora
    2019
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788592846015
    Português Brasileiro

    Durante o período Edo (1603-1868), a homossexualidade era comum na sociedade japonesa, celebrada em casas samurais, monastérios budistas e no teatro cabúqui. Vários fatores contribuíram para construir sua tradição: o intercâmbio com a China, a filosofia confucianista, o status das mulheres, a vida monástica, o feudalismo, a vassalagem e o desenvolvimento urbano. Inicialmente utilizado para compensar a ausência de mulheres, em determinado ponto o desejo homossexual foi incorporado e se tornou independente, intensificando-se nos centros urbanos, mesmo após o estabelecimento e a prosperidade das cortesãs e prostitutas. A homossexualidade não era alternativa à heterossexualidade: o comportamento de boa parte dos japoneses da época era bissexual.

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    Juno Rain16/11/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Livro extremamente necessário para se enxergar além do mundo ocidental e, principalmente, além das atuais convenções de sexualidade e uniões. Apesar do livro se chamar "história da homossexualidade no japão" e abordar, em 90% das páginas, apenas o sexo entre homens cis, não deixa de ser de grande importância ao apresentar o mundo oriental e sua história tão antiga e rica, tão divergente do que estamos acostumados. É curioso notar como Japão, influenciado pela cultura da China, teve sua sexualidade tão aberta e desenvolvida nos séculos passados. A bissexualidade era fator comum e normalizado, relações entre pessoas do mesmo sexo não eram julgadas nem oprimidas, inclusive eram incentivadas, principalmente no período Edo; eles só tinham uma regra "suprema": a hierarquia de acordo com a idade. Não era o estrato social que ditava como as relações se comportavam, era permito que pessoas de classes sociais e prestígios distintos se relacionassem sem qualquer perturbação à norma. No entanto, apenas um fator jamais deveria ser rompido: os mais velhos deveriam desenvolver papel ativo diante seu parceiro, e o mais novo, deveria portar-se como passivo, mesmo com pouca diferença de idade entres eles. Todavia, quando se tratava de michês e casas de chá, essa norma social poderia ser alterada, mas apenas mediante ao sexo pago. Toda essa liberdade é deixada para trás no início do século 19 e 20, quando o Japão começa a desenvolver relações diplomáticas (principalmente econômicas) com o restante do mundo e, para isso, a cultura ocidental impõe ao Japão que tais comportamentos "impuros" sejam punivéis. É importante ressaltar que toda essa visão conservadora é imposta pelo catolicismo. A influência ocidental é o declínio da tradição nanshoku (sexo entre homens, não necessariamente homossexualidade), que teve grande glória no passado japonês.

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