Edição de 2013
Conheci a obra através de outra edição, lida na biblioteca de minha escola quando estava na sétima série. Algo que fiz com avidez, por gostar do tema abordado, e desejei reviver nessa edição mais recente, de 2013. Foi originalmente publicada na primeira metade do século 20 e isso explica a Região Leste referenciada, que perdurou até a década de 1960 e era diferente da Sudeste que temos hoje. A leitura não teve a empolgação de outros tempos. A estética dessa edição tem formalidade que não curti (basta ver a capa tão insossa) e as ilustrações são pouco atrativas. Também já não me contento com abordagens sucintas sobre lendas. Tenho preferência pelas nortistas e acredito que em coletâneas atuais não pode ficar de fora a lenda do açaí, como se faz notar nessa. Na obra (pois não é uma caracterização geral), as lendas nortistas privilegiam a natureza e o indígena; as nordestinas favorecem o sobrenatural ligado à religião; as da antiga Região Leste tem em destaque aspectos históricos de conquista da terra; e as do Sul e Centro-Oeste falam da natureza, assombração e religiosidade. Na real, a maior parte das lendas tem interferências da visão do colonizador, que deturpam até as indígenas em nova percepção. Vou dissertar, por exemplo, sobre a do boto. Antes da colonização, o que existia entre os indígenas sobre encantamento vindo das águas era correlacionado à terror provocado por um tal Ipupiara; nos idos da colonização foram os colonizadores quem transformaram o boto num Dom Juan (desviando foco sobre paternidade); e nos dias atuais, com o avançar das ciências ambientais, o boto ganhou o predicado também de protetor ambiental. E a da Iara... Creditam aos indígenas, mas é toda idealizada por cultura europeia. As lendas indígenas em seu purismo são mais interessantes. Às vezes, a revisitação a leituras antigas,que guardamos com algum carinho dá uma quebra de encantamento... Mas tudo bem, sinal de aprendizagens no intervalo de tempo entre uma e outra. Leitura na quarentena em Macapá. Ainda é quarentena, né? Para mim vai ser até o estabelecimento de vacina... Tem lugares que as pessoas não tão mais nem aí e ignoram qualquer tipo de cuidado... Vai nessa de se comportar como se algumas coisas fossem lendas...

