The novel tells the story of a middle-class UNESCO engineer called Walter Faber, who believes in rational, calculated world. Strange events undermine his security - an emergency landing in a Mexican desert against all odds, his friend Joachim hangs himself in the dense Mexican jungle, and he falls in love with a woman who dies of a concussion, he has an incestuous affair. Finally Faber becomes ill with stomach cancer, but it is too late for him to change his life?.
Homo Faber -
Max Frisch
Certas pulguinhas mentais...
Sempre digo, em minhas resenhas, que sou professor de Literatura do Ensino Médio e isso para mim acaba tendo importância fundamental naquilo que leio. Dito isso, há muitos anos, em um dos textos sobre o Modernismo constante no material didático, era citado um autor que me era completamente desconhecido, cuja obra-prima retrata o que seria o homem moderno, racional, tendo a mente voltada apenas para a objetividade, a ciência e a tecnologia. E foi assim que fiquei sabendo da existência de Homo faber, de Max Frisch. Mas a alegria por descobrir um novo autor não durou muito: pesquisei em sebos e em livrarias virtuais, mas em nenhum deles constava sequer uma cópia à venda de tal livro. Imaginei, obviamente, que o livro não houvesse sido lançado no Brasil e constasse apenas em sua língua original, o alemão. Em outras palavras, Homo faber entrou para a lista dos livros que jamais seriam lidos por essa pessoa que vos fala. Nas férias passadas, em visita a um sebo em Recife, dou de cara com o dito-cujo e fiquei sabendo que foi publicado, sim, pela Editora Guanabara, na década de 80. Comprei-o de imediato. Homo faber é uma ótima leitura, com uma narrativa entremeada de flashbacks, mas que em nada atrapalha a fluidez da narrativa. E o argumento é bem simples: um técnico em viagem de trabalho, descobre que seu colega havia se suicidado em meio à selva tropical, por não suportar o clima ou alguma outra razão escondida; no decorrer de suas viagens, encontra uma jovem com quem mantém um relacionamento aparentemente nada além da amizade, digamos assim. Quando jovem, esse técnico abandonou a mulher de sua vida grávida (e também por ela foi abandonado). Ele percebe que essa jovem é justamente sua filha e decide fazer com ela uma viagem pela Europa. A tragédia acontece... Mas sem spoiler. Apesar do enredo aparentemente sem maiores surpresas, o livro consegue prender a atenção do leitor mais atento. Vale a pena? Acredito que sim, mas nem tanto pela história em si, mas pelo que ele faz pensar. Somos presas do destino? Construímos nosso próprio destino? O acaso existe? Podemos ser absolutamente racionais em tudo o que ocorra conosco? Se a vida parece não ter sentido, vale a pena vivê-la? E nisso, repito, reside o mérito do livro: mesmo que você seja absolutamente emotivo/emocional, ele te deixará com essas pulguinhas mentais te perturbando até mesmo após tê-lo acabado de ler...
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