[Gatilhos: automutilação, abuso sexual e tentativa de suicídio]
O livro conta a história de Alana e Martin, dois jovens que veem um no outro a ajuda para enfrentar os problemas que estão passando.
Mesmo não sendo muito fã de romance, assim que vi a sinopse fiquei encantada e pressenti que seria uma boa leitura, fiquei ainda mais feliz por ser de autora brasileira.
Demorou um bocado de tempo para sentir empatia pelos personagens. Por mais que me emocionasse com suas histórias, não conseguia me importar realmente com eles e sim com a situação em que se encontravam.
É meio difícil julgar eles pelas suas personalidades e a relação com seus problemas pessoais já que eu nunca vivi nada igual, mas posso dizer que foi muito difícil engolir a Alana. Achei ela uma garota muito fútil, que não enxergava o como era privilegiada.
Tive que me esforçar muito para não pular seus capítulos. Logo no começo, quando a autora descreveu ela como uma garota padronizada, meus olhos reviraram.
Os capítulos do Martin eram interessantes, quando não citavam Alana. Quando vi que a autora iria abordar "aquilo" na trama dele, me senti bem mal. Ver sua dor piorar mais e mais, era paralisante. Só continuei a ler o livro por ele. Queria muito saber se Martin seria feliz um dia.
Logo no início a autora deu um pulo no tempo que foi desnecessário, o livro já é enorme, ela poderia muito bem descrever aquele momento dos personagens de maneira rápida sem pular seis meses.
Agora sobre a escrita, parece que a autora forçou muito algo rebuscado e poético, cheio de detalhes e enrolação, porém era tanto arrastamento que me deixava entediada. O livro te faz saturar a palavra quebrado/quebrada também.
Em muitos momentos parecia que a autora ficava voltando pra falar do mesmo assunto, mesmo que tudo já estivesse esclarecido. O livro também falha muito nos diálogos (quase inexistentes!), quando tem é artificial e forçado.
Tem um erro bobo que me deixou com toc a história toda. Foi o fato da autora descrever que o Martin viu a Alana pela primeira vez numa padaria, depois mudou pra uma cafeteria pra por fim voltar para uma padaria de novo.
Ah não posso esquecer dessa, comecei a ficar irritada com a repetição da frase "Soltei o ar dos pulmões". Decidi contar então o quanto era falada, e foram nove vezes em apenas quatro capítulos...
O final foi muito pesado e intenso, depois de certo momento, não conseguia largar o livro. Foi uma cena perfeitamente bem escrita, fez meu coração disparar de tanto medo pelo o que poderia acontecer.
Me senti mal por não gostar do livro, depois de ver em "Nota da Autora" que Lola se inspirou em algo que já passou para escrever esse livro, fiquei péssima. Espero conseguir ler futuramente (e gostar) de outros livros dela.