Lucy Buttler é dona de uma personalidade irreverente. Conhecida pelo bom humor e a língua afiada, é uma mulher segura de si e no controle da própria vida. Porém, depois de passar por um momento traumático, ela precisa lidar com sentimentos que estão além do que consegue dominar. Durante uma dessas crises, ela é amparada pelo único homem que foi capaz de quebrar seu coração em pedaços: o melhor amigo do irmão, um verdadeiro membro da família. Durante anos a relação entre os dois ficou baseada em implicâncias infantis, o que permitia a convivência e escondia as mágoas que ambos carregavam. Mas fica difícil ignorar o que ela sempre soube ser verdade: ela nunca superou Matt.
Matthew Baker teve uma infância péssima. Filho de um pai negligente e uma mãe violenta, só confiava no irmão mais velho, mas isso muda quando Adam vai embora durante a noite prometendo voltar, mas some pelo mundo. Apenas quando conhece e é abraçado pela família Hayes-Buttler, é que descobre o que é ser querido. No meio dos 30 anos, sua vida é tranquila, apesar dos problemas que precisou vencer e dos traumas com os quais ainda precisa lidar. Porém, seu mundo inteiro é virado quando recebe uma ligação informando que seu irmão com quem não tinha contato há mais de 20 anos morreu com a esposa e agora é responsável pela sobrinha, que nem sabia existir. Ele não quer fazer isso, mas não pode permitir que a menina vá para um orfanato.
A relação cão e gato de Lucy e Matt já era muito presente no livro anterior, mas também era óbvio que não se tratava de antipatia ao contrário, era algo nebuloso. Conforme os detalhes do que ficou conhecido entre eles como aquela noite vão sendo mostrados, vi que a reação infeliz que o Matthew teve na manhã seguinte não foi fruto de arrependimento ou uma simples canalhice ele notou que poderia ter perdido em poucas horas as pessoas que adora e a família que tem. Pessoalmente, acredito muito que uma família de verdade vai muito além de sangue é amor, acolhimento, carinho e confiança. Ele tinha tudo isso, mas sabia que alguns limites nunca podem ser ultrapassados sem que as coisas quebrem no processo.
A chegada de Antonella me deixou um pouco perdida, imaginando para onde tudo iria, mas a menina tagarela foi capaz não apenas de fortalecer o que ligava os dois protagonistas, como conectar o tio com ele próprio e o seu passado. Lucy e Matt pegam fogo juntos, mas fiquei com receio de que o silêncio dele sobre sua história fosse atrapalhar um envolvimento mais profundo, o que poderia ter acontecido se a ficha dele tivesse demorado mais a cair.
Acompanhar, mesmo que indiretamente, Eveline e Luke, foi uma delícia. Essa personagem até parece outra mulher quando comparada com aquela assustada e fragilizada do começo.
Mais uma vez, a escrita da autora me arrebatou e devorei o livro em cada momento disponível. Repeti todo o processo da experiência anterior: chorei, gargalhei e terminei minha leitura com o coração feliz, próxima para acompanhar o Tyler agora.