Eu havia escrito uma análise sobre o dito, mas na hora de salvar, uma amiga apareceu e eu acabei perdendo tudo, mas tudo bem, o enredo é curto, resumindo a resenha: livro ruim, abaixo da média dos livros ruins.
Acredito que todos sabem do contexto dessa obra, e digo obra no sentido literário, mas também na acepção do verbo "obrar", muito utilizado no século XIX. O que faz esse livro ser lido em pleno 2023 (com o Elon Musk lançando foguete e tudo) é principalmente a enorme fama que o Titanic ganhou, sendo essa história um parasita escabroso do fato histórico real.
Se fosse apenas mal escrito e pouco criativo seria mais um amontoado de páginas sujas de tinta normal como tantos outros, mas não! Ele se esforça página a página, letra a letra pra ser terrivelmente incômodo nos seus menores detalhes. Primeiro, todos os personagens são insuportáveis! Tem uma garotinha que aparece basicamente pra ser salva pelo protagonista complexado e sem carisma (se ir ao psicólogo fosse mais comum naquela época esse livro jamais seria escrito), não basta ela surgir do nada a miniatura de ser humano é extremamente irritante, você simplesmente torce pra que ela se afogue junto com o Titan ou seja comida por um urso ou sei lá, devorada por focas carnívoras (eu sei que elas não existem, mas lendo esse livro você torce pra elas existirem!). Os personagens secundários são um pouco menos carismáticos que os cogumelos do jardim da minha casa (spoiler, os cogumelos aqui de casa são nojentos), e o personagem principal... hó Deus... Bom, é um cara aparentemente frustrado por ser pobre, frustrado por não ser tratado como príncipe toda vez que fala que é ateu e principalmente frustrado por ser um sujeitinho medíocre que não é reconhecido por ser "o cara legal". Basicamente 1/3 do livro é ele se vitimizando pelo que eu acabei de descrever, o segundo terço e ele tentando provar que não é um lixo ao salvar uma menininha irritante do naufrágio e a parte final é uma mistura de encheção de linguiça com absurdos lógicos misturados com relatos dos efeitos do chá de santo daime e interações com personagens caricatos igualmente fora da realidade.
Bom, acho justo dizer que ele não é completamente desinteressante já que estamos falando de um exemplo de como a literatura pode se aproximar do mundo real e como os escritores podem, às vezes, prever eventos futuros de maneira impressionante, mas pessoalmente não acredito em videntes, então aposto que foi só um exercício de futurologia de alguém aparentemente informado sobre as novidades de tecnologias náuticas da época.
Por fim, leia-o por sua conta em risco.