Qual será a idade correta de Enerst Young? sessenta e quatro, sessenta e cinco? Ninguém sabe ao certo. Tinha saído da China ainda jovem, durante o período de guerra e fome e não dos registros oficiais.
Grace sua mulher ainda gosta de adormecer enquanto ouve antigos discos. Também sorri com o som da chuva no telhado, mas raramente lembra-se dele.
Uma característica comum da sua demência era o de não se dar bem com homens, e nem Ernest ficava ileso a isso. Ele sentia muita falta dela, mesmo quando estava ao seu lado. Saudoso da pessoa que ela havia sido. E também sentia falta de quem ele costumava a ser.
Nem sempre se chamou Ernest. Quando pequeno seu nome era Yung Kun-Ai. Nome que a mãe lhe dera antes de doá-lo ou vendê-lo, ele não sabia ao certo. Mas lembra perfeitamente dos dias sofridos que passará a bordo de um navio com muitas outras crianças rumo à América. Sem saber o que esperar daquele novo mundo.?
Aos doze anos após passar por internatos. O garoto vê sua chance de ir a Feira Mundial de Seattle. Vislumbrado com todas aquelas novidades, nem se dá conta de que ele seria o prêmio da noite. Um sorteio, um bilhete premiado, um garanto mestiço, e um mundo totalmente diferente.
Muitos anos depois, a história de Ernest ainda é motivo de interesse, inclusive da sua filha. Uma história que desde de muito cedo está interligada a sua mulher, o amor da sua vida.
Todo mundo em Chinatown parece ter um lado B, uma história não contada. E fossem quais fossem as indignidades que ele tinha sofrido, as de Grace eram mil vezes piores. E Ernest não estava disposto a contá-las.
[...]Acho que existe uma diferença entre o corpo e a alma. Você pode comprar um corpo, mas o coração...O coração não se pode nem alugar.
Sem sombra de dúvidas esse foi um dos livros mais emocionantes que li esse ano. Um livro que retrata coisas como preconceitos, perda, solidão de uma forma tão singela, que me atrevo a dizer a narrativa tinha um toque de tristeza e beleza unificadas. Onde o coração doía e se aquecia simultaneamente.
Ele também fala de descobertas, de superação e de amizade de uma forma primorosa. Mas acredito que o que mais me emocionou foi a esperança retratada na narrativa. Esperança que temos que ter dentro de nós independente da situação ao qual estamos enfrentado.
Ernest foi um dos personagens que mais amei conhecer nesse mundo literário. Um personagem sábio que seja na sua juventude ou com uma idade mais experiente, nos transborda com sentimentos e ensinamentos de que sempre haverá um dia melhor.
Outro ponto é que muitos fatos históricos são retratados nesse livro. Como os sufrágio feminino acorrido e Washington em 1909.
Onde a mulheres lutavam pelo seu poder ao voto.
Enfim, muitas outras coisas tornaram essa uma das minhas leituras favoritas. E com toda certeza vocês terão constantes indicações dele aqui no meu Ig.
Beijos
Dani ??.