O livro traz a premissa utópica (e por muitos desejada) de uma plena reforma nos alicerces da Igreja Católica, tecendo críticas a estrutura atual e mostrando vislumbres de uma modernidade estrutural a ser alcançada através da figura do personagem fictício de Antonio Ferreira, um jovem Papa português recém eleito, prodígio desde a infância.
Tinha tudo pra agradar... Mas não agradou!!
A tal reforma proposta por Antonio é extremamente superficial na forma como é abordada no texto. O autor mescla várias subtramas dentro da obra e não conclui satisfatoriamente nenhuma! Muito fica no ar. Os mistérios relacionados a vida do Padre Albano, os dons de Antonio e seu diálogo com Deus (achei que ia bombar essa ideia e foi decepcionante ver como logo foi abandonada no decorrer da obra), a estada e vida de Antonio no Vaticano (que passa a impressão de não ter durado nem 30 dias...), a hostilidade dos Cardeais avessos as reformas, os conluios para sabotar a carreira do novo Papa...
Nada, absolutamente nada é satisfatoriamente abordado ou resolvido. Ao que me pareceu, o autor simplesmente se perdeu dentre as tantas ideias que teve. Fica uma curiosidade não satisfeita durante todo o livro, e isso é decepcionante.
Adendo para o personagem de José (existem outros na mesma circunstância e com a mesma pegada no livro, mas esse é o exemplo máximo de mau uso de personagem), "irmão" de Antonio. O personagem é de uma submissão e de uma falta de voz própria que chega a doer de tanto que incomoda. Era mais fácil nem ter aparecido no texto. Quem sabe sobrava mais espaço para se concluir algumas das tantas coisas que ficaram sem a devida conclusão merecida.