Não são muitas as pessoas que tiveram uma experência de vida tão bem vivida, tão agitada e, sobretudo, tãodiversificada como Waldemar Valente.Médico, farmacêutico,antropólogo,sociólogo,etnólogo,professor,pesquisador, humanista e escritor, ele teve uma infância como a de todo recifense do começo do século, jogando pião,empinando papagaio, brincando de dono - da - calçada nas ruas quietas do recife de seu tempo.Teve uma adolescência povoada de muitos sonhos, enfeitada por muitos amores, participando, como estudante, da boemia e da política da época.Foi quando Waldemar Valente pintou e bordou,frequentando as pensões alegres,metendo-se em camisas de onze varas, brigas, o diabo quatro. Começou sua vida profissional como médico na sua cidade Recife e se orgulha em registrar que foi o primeiro médico pernambucano que aplicou a penicilina, remédio que era a coqueluche daquele tempo.Pouco tempo depois foi trabalhar no Serviço da Peste, embrenhando-se pelo sertão,quando conheceu de perto,não somente a terra seca e carente de chuva como também, e sobretudo, o sertanejo e seus problemas ainda hoje sem solução.De volta ao recife foi ensinar em quase todos os colégios da cidade, tornando- se, assim,, o mestre de milhares de rapazes e moças que hoje são seus amigos e admiradores de seu trabalho intelectual.Foi aí que descobriu o mundo misterioso e maravilhoso da antropologia, da sociologia, da etnologia e passou a escrever artigos, fazer palstras e publicar livros sempre muito aceitos pela c rítica especializada. Com quase cinquenta livros publicados e quase todos esgotados, entre os quais seu antológico SINCRETISMO RELIGIOSO AFROBRASILEIRO, O PADRE CARAPUCEIRO, O JAPONÊS NO NORDESTE AGRÁRIO e o FOLCLORE DE PERNAMBUCO, Waldemar Valente,num estilo fácil e gostoso, começou a escrever as suas memórias ( e já estão prontos três volumes),deliciosas memórias que não são somente suas como também da própria cidade do Recife.Memóriasda cidade do Recife porque Waldemar Valente, no estilo ágil, retrata a vida de uma época de nossa capital, com sua alma, seus rios,seus problemas e sua beleza. Agora, Waldemar Valente nos oferece um régio presente que é este DAMA DE OURO, o primeiro volume de suas memórias.E por que DAMA DE OURO ? Qual é a razão deste título tão diferente?È que para esquecer os problemas e fazer higiene mental, Waldemar Valente reunia seus amigos, também professores e escritores, numa mesa de poker,nas tardes de domingo, nos dias santos e feriados.E nas mesas de poker chorando um five de rei ou á espera de uma DAMA DE OURO para armar um royal straight flush, ele teve a oportunidade de fazer bons amigos como Jorge Cahu, Ermírio Fonseca,Manuel Cavalcanti, Eugênio Bandeira, José Gastão e Amauri Rezende, entre outros.Não sei em qual dos volumes de suas memórias Waldemar Valente registra sua participação num jogo de poker ao lado de Getúlio Vargas e Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. Dizem que a curiosidade é próprpria das mulheres.Não acredito nessa história porque estou morto de curiosidade, com vontade de ler os outros volumes das memórias de Waldemar Valente que tem muito a contar. Mário Souto Maior.
Dama de ouro (Coleção Biblioteca Comunitária de Pernambuco.Série Memória #V.2) -
Waldemar Valente
FUNDARPE
1990
224 páginas
7h 28m
ISBN-10: 8585025743
Português Brasileiro
Edições (1)
Ver maisEstatísticas
Avaliações
0 / 0- 5 estrelas0%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%
