O livro 'Psicologia do subdesenvolvimento', publicado no ano de 1973 e de autoria de José Osvaldo de Meira Penna, diplomata com larga experiência e cujos ensaios divulgavam o pensamento liberal e os defeitos dos políticos e empresário brasileiros, como o patrimonialismo, situação na qual os governantes tratam o Estado como um patrimônio pessoal.
O autor faz uma abordagem culturológica do problema do subdesenvolvimento, abordando o temperamento do brasileiro como um fator negativo no desenvolvimento do país. O brasileiro se caracteriza pelo temperamento cordial nas relações interpessoais, pelo patrimonialismo nas relações institucionais e pela irracionalidade no planejamento e execução de projetos econômicos. A análise do autor identifica características que não combinam com a postura coletiva exigida pelo desenvolvimento capitalista.
Quanto ao temperamento do brasileiro, Meira Penna encontrou o tipo afetivo e intuitivo, enquanto os britânicos são fleumáticos e calculista, os franceses são sóbrios e cuidadosos, e os alemães rigorosamente disciplinados, os suíços racionais e educados à rotina. Meira Penna define o Brasil como uma 'sociedade erótica', onde a sensualidade instintiva (Eros) predomina. O brasileiro seria um Homo ludens, sujeito lúdico e bonachão, que se joga temerariamente em empreendimentos, movido unicamente pela fé na prosperidade, sem qualquer planejamento, enquanto o britânico encarna o Homo aeconomicus, cuidadoso, metódico e prudente.
O desenvolvimento capitalista depende da racionalidade dos projetos e planos, da impessoalidade em transações comerciais, da disciplina e da rotina.
Contudo, o autor não deseja que o brasileiro mude seu perfil, seu jeito de ser, o que seria absurdo. Recomenda, contudo, equilíbrio entre cordialidade e frieza nos assuntos empresariais. Coragem e prudência devem ser bem dosados.