Minha Coisa Favorita é Monstro

Minha Coisa Favorita é Monstro




Resenhas - Minha coisa favorita é monstro - Livro 1


10 encontrados | exibindo 1 a 10


Anielly 17/06/2019

Minha coisa favorita é essa hq tbm
Minha coisa favorita é monstro é uma Hq que mescla temas de terror, arte clássica, lutas sociais, Marin Luther King, monstros, nazismo mas principalmente um drama familiar. Vc encontra situacoes com: se ver como um monstro (oi padrões de beleza), o terror q acolhe as vítimas de preconceito e saber q até mesmo a pessoa q vc mais ama pode ser um monstro tbm. Afinal, perfeição eh algo que pedimos em vão, somos todos monstros, cruéis em um momento das nossas vidas, mesmo involuntariamente, e isso pode se aplicar até mesmo as pessoas mais próximas de vc (vc msm tbm). Isso sem falar em todas as definições de monstro q temos. Monstros insignificantes fazem sucessos nas telas pelo medo enquanto monstros com M maiúsculo andam cortando a aposentadoria e considerando educação e meio ambiente algo desnecessário. Detalhe por ser uma obra feminina de terror em HQ vencedora do Eisner. Nos já temos Atwwod (com seus livros e sua série bombastica), Tony Morrison, Gilian Flyn, Mary Shelley, Marista Pessl, Lygia Fagundes e outros nomes femininos mestras no terror. Então, fica a dica, quer terror de vdd? Procura uma autorA.
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C. Aguiar @coelhoobrancoo 09/06/2019

O quadrinho conta a história de Karen, uma garotinha completamente viciada em histórias de terror/monstros. Sua vizinha Anka acaba morrendo em circunstâncias misteriosas e Karen decide desvendar esse mistério. ⁣
Karen tem apenas 10 anos de idade, e diferente das garotinhas da sua idade ela não gosta de bonecas ou bandas famosas, ela gosta de terror e acredita ser uma jovem lobismoça. Existe um motivo para ela ansiar por ser um monstro; monstros não sofrem com determinadas situações ou são agredidos, monstros conseguem se proteger e manter suas famílias em segurança.

Nessa história é possível ver a narrativa pelo olhos de Karen através de seu diário onde ela desenha monstros e as coisas que acontecem em seu cotidiano. Vemos a sociedade e as pessoas que a rodeiam, em alguns momentos os fatos são narrados com inocência, mas o leitor consegue perceber a brutalidade da situação.
Conhecemos um pouco mais sobre a história de Anka e diversos personagens vão surgindo durante o decorrer da leitura. Inclusive temos algumas histórias paralelas a morte de Anka, o quadrinho aborda guerra, sexualidade, nazismo, preconceito e etc. Foi realmente uma leitura surpreendente porque eu não imaginava que tocaria em assuntos tão sensíveis.

Karen terá que lidar com muitas coisas com o passar o tempo, segredos familiares e descobertas sobre si que farão com que sua vida mude bruscamente. Ela é deslocada, solitária e terá de aprender as coisas do modo mais difícil.
Estou muito curiosa para saber como ela irá lidar com o que segredo que seu irmão está mantendo, apesar de ter ficado em dúvida em alguns momentos sobre o que dê fato o irmão dela está mantendo em segredo.

Todo o quadrinho foi desenhado com canetas esferográficas e é possível no decorrer da leitura ver algumas capas das revistas de monstros que a personagem gosta de ler.
Essa é uma leitura que tem que ser feita com calma, pois devido a grande quantidade de detalhes visuais e metáforas, é possível que você perca algo importante caso se apresse. Por isso aproveite a leitura sem pressa, aprecie as ilustrações e mergulhe em todos os mistérios que envolvem esse quadrinho!
O trabalho de diagramação dessa obra está espetacular e não conseguir ficar sem tirar diversas fotos. E se você gosta de quadrinhos, esse com certeza é um excelente exemplar para ter em sua coleção. Então vale a pena o investimento!

site: http://www.seguindoocoelhobrancoo.com.br/ ou https://www.instagram.com/coelhoobrancoo/
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leonel 26/05/2019

Historinha mongol cheia de forçada pra tentar sentimentalismo e dezenas de textões mimizentos por página. Os desenhos são legais, ao menos.
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Gabe | @gabereader 21/05/2019

"Acho que a diferença é essa: O monstro bom as vezes dá um susto em alguém por causa das presas, da aparência.. fica além do controle deles. Já o monstro ruim só quer saber de controlar, quer que o mundo inteiro fique assustado para que os monstros ruins mandem em tudo."

Karen Reyes é uma garotinha de 10 anos fascinada por desenhos e histórias/filmes de terror, ela se desenha como uma mistura de mulher e loba e através de várias revistinhas ela vai nos contar uma história. Tudo começa quando há o assassinato de uma vizinha querida que intriga a todos e nossa jovem Karen decide que será a detetive desse grande mistério, pintando toda a história através de seus olhos.

Muitos aspectos rondam essa trama.. mistérios, dramas familiares, suspense psicológico e uma dose muito boa de crítica social. Dividido em revistinhas como falei, Karen vai narrar diversos pontos da história, suas descobertas, evidências curiosas, relatórios sobre suspeitos e muitas intrigas enquanto mescla tudo com um cenário político caótico dos anos 60.

Dando um ar totalmente vintage e rebuscado, Emil Ferris traz um quadrinho inteiramente feito em rabiscos de caneta em folha pautada, dando um aspecto colegial e ao mesmo tempo intimo a toda a narrativa, quase um diário pessoal.

De início tive um pouco de dificuldade com o formato do livro, o leitor precisa se ater a muitos detalhes, justamente como falei, por se tratar de algo que se assemelha a um diário, os relatos e desenhos as vezes ficam soltos nas páginas fazendo o leitor ter que virar o livro, ler de lado, ler nas margens e etc.. mas após eu me acostumar com isso li de uma só vez pois é impossível largar a história até a conclusão do mistério.

Sendo vendido como um dos quadrinhos mais impactantes desde "Maus" e levado 3 prêmios Eisner (Oscar dos quadrinhos), Minha Coisa Favorita é Monstro caminha em diversos terrenos, levantando discussões sobre homofobia, intolerância, abusos, preconceito racial.. com personagens fortes e bem construídos que vão nos fazer roer os dedos inteiros pra desvendar seus passados e suas relações com o grande mistério do livro. A jovem Karen terá que ser forte em meio a tantas descobertas sobre si e sobre a vida.
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Ana 13/05/2019

Tive uma surpresa quando recebi o quadrinho Minha Coisa Favorita é Monstro. Primeiro que eu não imaginava que ele fosse tão grande — sério, acho que é maior que um caderno — e segundo porque eu fiquei realmente impressionada com a beleza dele. O livro é um diário de uma criança que ama monstros e história de terror, e tudo é feio em caneta esferográfica. O mais interessante é que a protagonista, Karen, se desenha com uma lobismoça, enquanto a família e a maioria das pessoas ao seu redor são representados como humanos.

Mas enfim, o que vocês precisam saber é que existem várias histórias dentro de Minha Coisa Favorita é Monstro. Além da vida e dos pensamentos mais íntimos da Karen, que ela desenha com todos os detalhes possíveis, conhecemos a história dos outros personagens através dos olhos dela. Em primeiro lugar, temos a família dela, composta pela mãe e pelo irmão mais velho — cujo passado é cheio de mistérios que a gente fica louco para descobrir. Depois, o livro passa a ter uma outra cara quando a vizinha de Karen, Anka, é encontrada morta em seu apartamento.

Os policiais que cuidaram do caso juraram de pés juntos que Anka se matou, já que não foi encontrado nenhum sinal de invasão, mas Karen tem certeza que sua amiga foi assassinada — não só porque não encontraram a arma do crime, mas porque a menina sabe de uma coisa que mais ninguém sabe. Além do mais, Anka era judia e, aparentemente, também tinha vários segredos. A partir daí, somos inseridos em mais uma história, que narra o passado de Anka e nos dá esperança de entender o que realmente aconteceu com ela.

No meio desse bolo de informações, Emil Ferris ainda consegue inserir de forma magistral, sempre através dos olhos de Karen, a história de vários personagens secundários: a de um amigo que é negro e sofre bastante com todo o preconceito — que ainda é muito forte na atualidade e era ainda pior na época em que o quadrinho se passa; a de uma amiga muito próxima do colégio que não é que ela é de verdade; a de uma outra amiga que além de ser muito pobre, não é enxergada por mais ninguém além da própria Karen... E assim acompanhamos uma obra intrincada, mas extremamente bela.

Eu fiquei encantada pela Karen. Apesar de se esconder sob a aparência de um monstro, ela é com certeza a personagem mais bondosa de Minha Coisa Favorita é Monstro. Apesar de ter apenas dez anos, é muito inteligente e curiosa, e carrega uma inocência que acaba machucando a gente. Por exemplo, em determinado momento da história sobre o passado de Anka, em que os horrores da Segunda Guerra Mundial são explanados — as capturas, os guetos e campos de concentração, todas as mortes —, é nítido que para a protagonista são informações abstratas, e isso mexe com a gente justamente porque sabemos que foi algo muito horrível.

Minha Coisa Favorita é Monstro é, de um modo geral, emocionante demais. A única coisinha que me deixou muito bolada foi o final, que é tão aberto, confuso e frustrante que eu tive vontade de jogar o livro na parede. Eu já estava pensando em fazer um textão reclamando quando eu descobri que a obra original foi dividida em dois volumes — desculpem o chilique —, então eu mal posso esperar para dar continuidade às essas várias tramas que me trouxeram sensações inimagináveis. Ah, resolvi não colocar fotos da obra nessa resenha para que você sejam surpreendidos também. ;)
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Blog De Bem Com a Leitura 08/05/2019

Karen é uma menina de dez anos que adora tudo relacionado a monstros e seu irmão Dezê alimenta seu vício com quadrinhos, seu irmão também é o responsável pelo gosto por artes, ele sempre a leva a museus e eles admiram os quadros com minuciosidade, Karen até mesmo (com sua mente fértil) consegue sentir o cheiro dos quadros, imagina as cenas em tempo real e como se estivesse participando também.

Karen adora desenhar e em seu caderno ela relata detalhes de sua vida e assim podemos acompanhar questões importantes que acontecem tanto com ela quanto com outras pessoas. Karen sofre na escola por ser diferente, os alunos são cruéis, mas ela não se deixa abater. Ela queria mesmo é ser um monstro, tanto que em seu caderno Karen se desenha como uma lobismoça e se imagina assim também.

A vida da Karen em poucos dias vai virar de cabeça para baixo, começando com a morte de sua vizinha, Anka, passando por descobertas sobre o passado de seu irmão e terminando algo assustador que está acontecendo com a sua mãe. Karen sempre gostou muito de Anka, mas não fazia ideia que sua querida vizinha já tivesse sofrido tanto. Com a morte dela, Karen se veste de detetive e começa a investigar. A polícia diz que foi suicídio, mas a pessoa que supostamente atira em seu coração não iria - depois de morta - para a cama e se cobriria, nem limparia o sangue e nem sumiria com a arma do crime.

O marido de Anka está muito abalado e certo dia, depois de beber todas, ele chama Karen para mostrar o conteúdo de umas fitas cassete e através das gravações a lobismoça conhece o terrível passado de sua vizinha. Anka foi uma das vítimas do holocausto e as consequências dele em sua vida deixaram marcas eternas. Anka cresceu dentro de um bordel e ali via de tudo, mas nada que a preparou para os anos seguintes.

Anka foi vendida para um homem que mantinha meninas em cativeiro e atendia aos desejos mais sórdidos de seus clientes. Ele chamava seu estabelecimento ilegal de farmácia e as meninas eram os remédios. A inocência de Anka foi destruída ali, foi obrigada a crescer e teve que aprender truques para agradar os “pacientes”. Tempos depois Anka foi parar em um dos trens que levavam judeus para os campos de concentração e o que ela fez para se salvar foi completamente inesperado.

Enquanto desvenda o passado de Anka e tenta descobrir o que aconteceu com ela Karen se vê diante de uma situação que a deixa apavorada, o terror da vida real, e quando acontece o que ela temia Karen vai ter que aprender a lidar com a vida dali em diante. Ao mesmo tempo, todos os segredos do irmão vêm à tona e ela tem uma grande surpresa.
Minha impressão

*Resenha completa lá no blog > http://bit.ly/2Joaqb2

site: http://vocedebemcomaleitura.blogspot.com.br/
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Soterradaporlivros 23/04/2019

Pra mim foi quase impossível largar a leitura dessa Graphic novel.

Toda desenhada como se num caderno, com caneta esferográfica, visualmente ela é uma das coisas mais lindas que eu já vi (as capas de revista de terror e as reproduções de quadros são de uma beleza incrível).

Mas e a história? Karen é uma garotinha que ama monstros e seu sonho é ser mordida por um que esteja recrutando. A história é contada e desenhada por ela. Garotinha inusitada é a Ká! Ela se desenha como uma lobismenina, ela ama arte graças ao sei irmão Dezê, ela não apenas vê e sente a arte, ela também cheira a arte.

Até aí tudo bem, era mais ou menos o que eu esperava. Mas eu não sabia que o livro tem um mistério de detetive (um não, vários), que usa a inconstância política e social da década de 60 como cenário, que falasse sobre abuso, racismo, homofobia, sobre sobrevivência.

Sem dúvida uma das melhores surpresas que tive esse ano!

Indico pra todos, independente de ter o costume de ler quadrinhos. Esse pode ser um bom começo.
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Cintya Plem 20/04/2019

Minha Coisa Favorita é Monstro
Mágica, assustadora, apaixonante e melancólica são algumas das características mais marcantes dessa graphic novel onde conhecermos Karen uma jovem que ama monstros e é através de seus desenhos que vamos entender seu mundo, seus anseios, seus desejos e sacarmos, já que ela é destemida e muita a frente do seu tempo!
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A trama se desenvolve em Chicago nos anos 60 onde ela vive com sua mãe Marvela e seu irmão Dezê que além de também trabalhar com artes foi o responsável por fazer nascer esse encanto por quadros em Karen, são muitos momentos de análise e reflexões entre os personagens e vários quadros famosos!
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Na trama vamos acompanhar Karen se intensificar no trabalho de detive para descobrir quem é o assassino de sua querida vizinha Anka e é através dessa investigação que também conhecemos o mundo desestruturado e injusto em que Anka viveu, passando pelo holocausto!
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A história pode parecer simples e encantadora mas a carga emocional é pesadíssima, eu já conseguia sentir uma profunda tristeza só com o semblante da personagem na capa, mas ela se intensifica ainda mais ao decorrer da história!
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Assuntos como preconceito, abuso infantil e sexual que sempre aconteceram sem ninguem se importar, medos e crenças que são desprezados, bullying dos mais pesados e dolorosos, sexualidade reprimida e as cenas sexuais são tão intensas para uma garotinha que vê e compreende tudo que acontece!
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Karen é sempre uma monstrinha que busca ser transformada de verdade, seu mundo é voltado para esses seres e a mensagem que ela nos traz com sua história é que apesar de serem fisicasmente assustadores eles são inofensivos na maioria das vezes, os seres humanos sim são os verdadeiros monstros mais assustadores, com suas querrras, desavenças, extermínios, maldades... concluo que eu também preferia virar monstro bom!
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GETTUB 20/04/2019

http://gettub.com.br/2019/04/20/minha-coisa-favorita-e-monstro/
Existem várias histórias por dentro e por fora de MINHA COISA FAVORITA É MONSTRO, algumas delas verídicas, mas tão incríveis, que parecem inventadas por alguma mente muito criativa. Posso começar pela história de como o livro foi feito, por exemplo. Emil Ferris teve sua obra recusada por 48 editoras. A Other Press até tentou publicar, mas desistiu, com a justificativa de considerar o trabalho editorial, de quase 800 páginas, grande demais, eles não conseguiriam torná-lo comerciável e rentável. Felizmente, apareceu a editora Fantagraphics, localizada em Washington, e conhecida por trabalhos autorais de fantasia. Eles aceitaram publicar, mas em dois volumes. Após finalizada a produção, o navio, que levava a primeira tiragem de 10.000 cópias, foi confiscado no canal do Panamá, porque a transportadora faliu. O processo de liberação levou um mês. E mais um mês depois, todas as 10.000 cópias foram vendidas. Uma nova tiragem de 30.000 cópias foi feita, a maior tiragem já produzida pela Fantagraphics, e venderam tudo. Logo em seguida, a Sony comprou os direitos de adaptação para o cinema. E nesse ano, a obra ganhou os maiores prêmios mundiais dos quadrinhos: o Fave D’Or, francês; e o Eisner de Melhor Álbum, Melhor Roteirista, Melhor Desenhista e Melhor Colorista.

Temos também a história de Emil Ferris. Ela trabalhava como designer de brinquedos do McDonald’s e, aos 40 anos de idade, contraiu a febre do Nilo através da picada de um mosquito. A doença paralisou Ferris da cintura para baixo, bem como sua mão direita. Enquanto se recuperava, Ferris começou a trabalhar em MINHA COISA FAVORITA É MONSTRO. Era sua terapia, sua maneira de reativar seus movimentos e conseguir voltar a ser como era. Durante 6 anos, utilizando apenas canetas esferográficas tipo Bic, ela escreveu e desenhou a obra. As páginas simulam folhas pautadas de um caderno, e os textos e desenhos representam o diário de uma garota de 10 anos de idade, que vivia na Chicago de 1968. Nesse período, Ferris recebeu um MFA por escrita criativa da Escola de Artes de Chicago. Hoje, aos 57 anos de idade, ela é uma das maiores e mais prestigiadas quadrinistas do mundo.

Uma terceira história, é a história de MINHA COISA FAVORITA É MONSTRO. Na HQ, lemos o diário da pequena Karen, uma garota de 10 anos de idade que usa seus cadernos para desenhar aquilo que mais gosta: monstros! Em meio a desenhos de criaturas assustadoras e réplicas que ela faz das capas de revistas do gênero terror, ficamos sabendo de seu dia-a-dia, das pessoas que a rodeiam, de seus pensamentos sobre essas pessoas, de sua família, uma mãe e um irmão, bem como de como era a sociedade da época sob a ótica de uma criança. Nas páginas, Karen também se desenha, mas não como uma garotinha, e sim como lobisomem. Mas a história não é apenas sobre seu cotidiano, uma vez que acontece a morte da vizinha de Karen, a senhora Anka, uma judia que possuía várias cicatrizes pelo corpo, bem como inúmeros segredos em sua vida. Tudo aponta para um suicídio, uma vez que não foram encontrados sinais de invasão, mas Karen tem suas suspeitas, porque ela viu algo que mais ninguém viu, e por isso, ela acha que Anka foi assassinada. Por causa dessa quase certeza, Karen começa sua investigação para descobrir quem matou Anka. E isso faz com que ela interaja com pessoas que possuem tantos, ou mais, segredos que Anka, descubra fatos sobre seu passado que desconhecia, e compreenda melhor quem realmente são sua mãe e seu irmão.

A quarta história é uma que acontece dentro da história de Karen, que é o passado de Anka. No meio da HQ, quando Karen tem acesso a fitas de áudio de Anka, caímos em eventos que parecem saídos do pior pesadelo que alguém poderia ter. Voltamos décadas atrás, quando Anka ainda era uma criança, e vamos avançando, passando por casas de prostituição, venda de crianças, rituais de sacrifício, nazismo, guetos de judeus, campos de concentração, o holocausto, até quase chegar no presente de Karen. Todo esse arco, que se intercala com as investigações do assassinato de Anka e a vida de Karen, é de uma intensidade que exaure a energia do leitor. É impossível ficar impassível ao que se lê, é impossível não sentir um profundo desespero, ainda mais quando tomamos consciência de que o que está sendo contado, não é totalmente ficção, mas acontecimentos baseados em fatos reais. Sim, porque MINHA COISA FAVORITA É MONSTRO é baseado em lembranças da autora, da vida dela e da vida de pessoas que ela conheceu e conhece.

A contagem das histórias não termina na quarta. Existem outras que se intercalam conforme Karen conta seus dias. Temos a história do gangster que é traído pela esposa; temos a história da mãe de Karen e de como, aos poucos, a menina descobre o porquê da mãe estar perdendo o cabelo; a história do irmão de Karen, Dezê, e de como várias coisas que ele fez, e ainda faz, afetam as vidas de várias pessoas; a história de um dos amigos adultos de Karen, de como por ele ser negro, é discriminado; a história do vizinho que mantém o corpo quase todo coberto, inclusive o pescoço, porque possui várias cicatrizes e um tom azulado na pele; a história de uma das amigas do colégio de Karen e de sua importância na descoberta da orientação sexual de Karen; o bullying que Karen sofre por causa de seus desenhos e da forma como se veste e comporta. Todas essas histórias, individualmente, renderiam excelentes quadrinhos. Juntas, interligadas com extrema competência e naturalidade, incitam no leitor um turbilhão de sentimentos que transformam a leitura em uma experiência única.

Karen é uma personagem fascinante. Por ter apenas 10 anos de idade, ela ainda possui a inocência e a ingenuidade características dessa fase da vida. Em alguns de seus relatos, ela não consegue diferenciar quem é bom e quem é mau, ou qual o verdadeiro objetivo de algumas ações, ou a compreensão de algumas decisões, ou mesmo a real função de alguns locais. Por exemplo, em determinado momento, quando ela descobre uma parte da vida de Anka, são mencionadas casas que servem de prostituição e abuso de menores, mas essas casas possuem nomes comuns, sem ter qualquer relação com o que existe de terrível dentro delas, e Karen fica sem entender. Ou mesmo quando é mencionado os guetos dos judeus na Segunda Guerra Mundial, ou os campos de concentração e de extermínio, ela não compreende o que acontecia neles. Entretanto, o leitor compreende. E sofre no lugar dela.

É quase instantâneo se apaixonar por Karen. Uma das personagens mais carismáticas que conheci nos quadrinhos ou nos livros. Não apenas por sua inocência, mas, principalmente, pela forma como ela vê o mundo. Mesmo sendo apaixonada por monstros, desenhando criaturas horrendas, e até transformando pessoas que ela não gosta ou que fazem mal a alguém em criaturas deformadas e assustadoras, ela não consegue distinguir a maldade que a rodeia.

Apesar de viver com a mãe e o irmão, ela desconhece parte de seu passado. Pelos cantos da casa, Karen percebe que existem cochichos, segredos que são escondidos dela, sem ela saber o motivo. E ela pensa o que qualquer criança nas mesma situação pensaria: que há algo de errado com ela. Ainda mais por a considerarem diferente no colégio. Karen se sente deslocada, solitária. Esses são alguns motivos que fazem com que ela se desenhe como um lobisomem. E uma das partes mais emocionantes da história, é quando ela é confrontada pelo irmão em frente a um espelho e ele insiste para que Karen se olhe de verdade, como uma menina linda e corajosa, sem ver a imagem de um monstro. Essa é uma representação daquilo que muitos de nós sentem. Muitos de nós possuem uma imagem diferente da realidade de como somos, seja para melhor ou para pior. E precisamos de alguém que nos confronte com nosso reflexo no espelho, para que possamos crescer, ganhar confiança.

Existem muitas outras partes emocionantes em MINHA COISA FAVORITA É MONSTRO, partes desenhadas de uma forma belíssima, como quando Karen está junto com seu amigo negro e ficam sabendo que Martin Luther King foi assassinado. Os dois estão em um ponto elevado da cidade e, ao longe, eles observam as colunas de fumaça dos incêndios provocados pelas rebeliões urbanas em protesto à morte do ativista político. Como também são belíssimas as reproduções de diversas obras de arte que a autora fez de forma incrível. Karen adora visitar museus, e alguns trechos da história acontecem nesses locais. Algumas vezes, Karen mistura a história que conhece com a história de diversos quadros famosos, e a autora os reproduz com absoluta fidelidade, só que desenhados com riscos de canetas coloridas.

Eu poderia escrever várias páginas sobre MINHA COISA FAVORITA É MONSTRO, porque há material demais para ser discutido, para ser apreciado. Mas não posso terminar a resenha sem parabenizar um outro trabalho, o de adaptação e tradução feito por Érico Assis. Foi algo monumental, de um capricho sem igual, ainda mais em tantas páginas, onde as letras se misturam com diversas camadas de riscos, desenhos e fundos.

Uma obra como MINHA COISA FAVORITA É MONSTRO deve ser lida por todas as pessoas. Por causa de seu tamanho, é uma HQ cara, que a maioria não tem condição de comprar. Por isso, pense com carinho na possibilidade de emprestar ou dar de presente, após completar a leitura, para alguém que não tenha condições de comprar. Livros precisam ser lidos pelo máximo de pessoas e não apenas guardados numa estante ganhando poeira. Principalmente esta HQ que é uma obra de arte e um ensinamento sobre a perda da inocência e a crueldade das pessoas.

site: http://gettub.com.br/2019/04/20/minha-coisa-favorita-e-monstro/
Artur 13/05/2019minha estante
Que demais! Obrigado pela detalhes! Louco pra ler!!!




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