Minha Coisa Favorita é Monstro

Minha Coisa Favorita é Monstro




Resenhas - Minha coisa favorita é monstro - Livro 1


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Jonas (@castelodepaginas) 17/06/2020

minha coisa favorita é monstro
Fiz resenha no meu blog dessa obra, por favor visitem e se inscrevam. Obrigado

site: https://resenhasnonaarte.blogspot.com/2020/06/minha-coisa-favorita-e-monstro-livro-1.html
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Craotchky 10/02/2021

Minha coisa favorita
Lançada originalmente em 2017, esta grafic novel monstruosa chegou arrebatando diversos prêmio em sua área. A obra foi agraciada com o prêmio Eisner (o Oscar dos quadrinhos) em três categorias, entre outros prêmios de prestígio. Uma justificativa (mas não única) para tanta aceitação, até mesmo da crítica especializada, pode ser o fato de que sua arte é toda produzida com o uso exclusivo de canetas esferográficas (tipo BIC) e hidrocor, circunstância que se destaca quando conhecida.

A linha principal da narrativa acompanhará a protagonista, Karen Reyes, uma menina de 10 anos, que resolve investigar o suposto suicídio de sua vizinha do andar de cima, encontrada morta em condições peculiares. A grafic novel é justamente o diário da menina, ou seja, todo o conteúdo desenhado e escrito tem sua autoria. Os eventos narrados são ambientados em Chicago, no fim da década de 1960. O momento histórico é importante pois se refletirá tanto na arte quanto em trechos em que se abordam aspectos sociais e políticos.

Uma gigantesca pluralidade de elementos afloram durante o decorrer da obra. Dentre os muitos assuntos abordados estão: o contexto social e político do período, obras de arte em exposição, discussões sobre o feminino e a sexualidade, preconceito racial, prostituição (adulta e infantil) e pedofilia, os horrores do nazismo... Além de, é claro, muitas referências às histórias de terror que a protagonista adora. Na grande maioria das vezes essa mistura fica muito bem colocada no enredo, tornando a obra muito rica ao tratar dessa multiplicidade de tópicos.

A arte é simplesmente espantosa, fantástica, fabulosa, incrível, monstruosa! Possui uma riqueza de detalhes impressionante. Além disso, por vezes há uma miscelânea de combinações de cores mescladas, resultando em um efeito belíssimo. (Neste ponto preciso salientar que sou um leitor de pouquíssimas leituras de quadrinhos, portanto quase que não tenho referências para estabelecer grandes comparações.)

A história pessoal da autora também chama bastante a atenção. Em 2001, muito antes de sequer sonhar em produzir esta obra, Emil Ferris contraiu a Febre do Nilo Ocidental, após ser picada por um mosquito. A doença paralisou a parte inferior do seu corpo e também sua mão direita. Com isso, durante o processo de recuperação, ela teve que desenvolver a capacidade de desenhar com sua mão esquerda a fim de fazer sua grafic novel. Conseguiu.

Como ponto negativo penso que quando o foco sai da linha condutora da narrativa, isto é, a investigação, aparecem momentos aparentemente fortuitos. Porém essa aparente ausência de nexo talvez se explique quando lembramos que a narradora é uma menina de 10 anos. Ademais, a ordem de leitura dos blocos de texto em algumas páginas pode ser confusa pela mesma razão. No meu modo de ver o final deixou a desejar pois a solução do mistério, isto é, a linha narrativa principal, tem um desfecho nebuloso, que mais produz dúvida do que respostas. Como há uma continuação, existe um fator atenuante.
Enfim, já me alonguei demais. Mas acredite, deixei muita coisa de fora desse texto. Em outras palavras: Minha coisa favorita é monstro entrega muito mais do que pude mencionar por aqui.

ALGUMAS CURIOSIDADES
📌 Minha coisa favorita é monstro é a grafic novel de estreia da autora.
📌 Foram utilizadas cerca de 20 mil canetas esferográficas ou hidrocor na confecção do quadrinho.
📌 A HQ foi recusada por quase 50 editoras antes de ser aceita.
📌 O trabalho se prolongou por cinco anos, período no qual Emil se empenhou 12 horas por dia.

p.s. Esta resenha é dedicada a Nathália Vitório que teve participação direta e fundamental nessa minha leitura. Nath, nesse momento minha coisa favorita é você.
Nath 10/02/2021minha estante
AMEI a resenha!
Muito completa, bem escrita e bem elaborada, como todas as suas demais resenhas produzidas. *-* Para mim, foi uma alegria presentea-lo com essa HQ tão especial e incrível em tantos níveis! E espero mesmo que as suas leituras de quadrinhos sejam cada vez mais prósperas nas suas metas, coração. Nesse momento, minha coisa favorita também é você Filipe/Craotchky. ;*


Craotchky 10/02/2021minha estante
Que cheiro é esse? Hummm, é o amor que está no ar! hehehehe
Obrigado pelo elogio. Minha gratidão pelo presente é enorme, como você bem sabe. Espero que aproveite minhas lembrancinhas também. Beijo, gata.




Aline.Deodato 29/09/2020

Monstros da vida real
A curiosidade de Karen -- que se desenha metade loba, metade humana -- a faz investigar por conta própria a misteriosa morte de sua vizinha Anka, buscando pistas, incongruências nas falas e nos álibis dos moradores do prédio.

A HQ tem como plano de fundo a Chicago dos anos 60, e flashbacks da Segunda Guerra Mundial. Aborda assuntos como o racismo, xenofobia, preconceito contra indígenas, prostituição, abusos de menores, bullying, holocausto, american way of life, política, história, entre outros.

Alguns momentos do gibi são alegóricos, outros, imaginação da personagem, a menina adora estórias de terror e gosta de "fantasiar".
Repleto de simbologia e referências aos clássicos do horror, cultura pop e história da arte. Os traços mudam no decorrer das páginas, tudo muito criativo, profundo, e a arte impecável.

Me surpreendeu demais!
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DaniBooks 11/02/2020

Espetacular
Essa HQ tem um projeto gráfico incrível: toda feita em folha de caderno pautada e com caneta esferográfica e hidrocor. É incrível o resultado que a autora conseguiu. É lindo e você fica horas só admirando as imagens. Uma das coisas mais bonitas e bem feitas que eu já vi.

O texto acompanha a força das imagens. É forte, fluido, rico e com um leve toque de lirismo.

Minha Coisa Favorita é Monstro é o diário de Karen, uma menina de 10 anos, esperta, divertida, inteligente, irônica e com um talento artístico invejável: seu diário é a prova disso. Ela filha de pai mexicano e mãe com ascendência indígena: um prato feito para o bullying que ela sofre na escola.

Um dia,uma vizinha sua aparece morta e a polícia aponta suicídio como a causa da morte. Karen sente que há algo errado; ela acredita que sua vizinha foi assassinada. É parte para investigar a vida daquela vizinha de quem ela gostava bastante, mas que tinha um passado misterioso.

A partir daí, temos uma história dentro da outra: a do passado de Anka - a vizinha- e a de Karen e sua família.

Esse livro trabalha na muitos temas relevantes: bullying, descoberta da sexualidade, miséria, problemas de autoimagem, aceitação do diferente, guerra, abusos, violência, etc. E esse é só o primeiro volume.

Eu adorei essa história! Ela é cheia de nuances e observar essa narrativa a partir do ponto de vista de uma criança é uma experiência riquíssima. A Karen é uma personagem extremamente cativante e bem construída.

Esse primeiro volume termina de uma forma que você fica roendo as unhas querendo a continuação. São muitas questões e mistérios a serem resolvidos. Espero que lancem ainda este ano o segundo volume. Mais um favoritado do ano! Quem puder, leia, pois vale muito a experiência.
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Bruno Oliveira 29/02/2020

UM QUADRINHO MONSTRUOSO
O título faz jus ao seu conteúdo. Realmente, este MONSTRUOSO álbum de estreia da Emil Ferris é a melhor coisa que tu verás em quadrinho atualmente. Seus desenhos são IMPRESSIONANTES! Eles saltam aos olhos fácil e divertidamente. Este álbum merece, com louvor, todos os prêmios até aqui conquistados. As histórias que o recheiam são boas. Sim, há mais de uma. É uma menininha (Karen) que conta uma e é uma moça (Anka) que conta a outra. Contudo, ambas têm o filtro da menina Karen. Então, não espere "um mundo de adultos" por aqui. Há sim temas pesados, bem pesados até, e imagens que podem ser consideradas "impróprias" para menores, mas é tudo parte desse mundo fantástico e único dessa curiosa menina de dez anos que escreve e desenha HORRORES no seu caderno/diário.
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Lucas dos Reis @EstanteQuadrada 22/08/2020

Lindo, impactante e profundo
Karen Reyes é uma menina prestes a entrar na adolescência que escreve (e desenha) um diário falando sobre seus problemas e questões.

Ela sofre bullying na escola e também é impactada quando vizinha é assassinada. Entre essas duas questões, ela tenta investigar o mundo ao seu redor para resolver tudo.

Ela é uma menina fissurada em monstros, inclusive querendo ser um lobisomem (se desenhando como uma em seu diário) para que sua vida seja mais fácil e livre do bullying. Diversos personagens, os seus mais próximos e favoritos, possivelmente, são desenhados por ela como monstros: vampiro, zumbi, fantasma...

A HQ tem mais de 400 páginas, todas desenhas a caneta pela Emil Ferris ao longo de CINCO ANOS!! A autora é uma conversa por si só, aconselho a todos procurar sobre a história dela e a formação dessa HQ.

Quando terminei de ler eu fiquei impactado e confuso, em um primeiro momento. Comecei a procurar loucamente no Google sobre essa HQ e fiquei aliviado que existe uma sequência... E agora estou louco para entender ainda mais desse universo! (depois, na hora de reler o início percebi que tem "Livro Um" no título, mas eu havia esquecido completamente)

É uma história realmente profunda com diversas questões para abordarmos, debatermos e refletirmos. Podemos discutir temas diferentes a cada capítulo, e isso é maravilhoso!
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André 03/02/2021

Olhei na cara da Emil Ferris e gritei: ARTISTA!
Um quadrinho sensível e ao mesmo tempo muito cru. Toda arte -linda e minuciosamente pensada e cheia de referências- foi feita manualmente com caneta em folhas de caderno. Cada vez que a gente vai se aprofundado na história de um personagem percebemos mais e mais a genialidade da criadora.
ingrid 04/02/2021minha estante
ele eh leitor meu filhooooo




Dani 29/04/2020

De encher os olhos
Uma HQ que quebra todas as regras e se reinventa.
Além de uma história dramática e envolvente, cada página é uma verdadeira obra de arte!
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Amanda.Cristina 07/08/2020

Emaranhados de rabiscos deslumbrantes!
Nunca demorei tanto lendo uma HQ, e não é porque a história não te faça querer saber mais e mais. Na verdade demorei tanto porque os desenhos são simplesmente impressionantes, dignos de serem olhados com toda a atenção para os traços e os detalhes. Emil Ferris é uma monstra na caneta Bic!!!
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Gárgula 11/03/2020

Minha coisa favorita é monstro, de Emil Ferris
Todos somos um pouco como a Karen
Peguei emprestado Minha coisa favorita é monstro, de Emil Ferris com o meu grande amigo João Daniel. Já contei por aqui que gostamos de ler histórias que tragam material humano para gerar reflexão. Estava ainda no início da criação do blog e só fui iniciar essa leitura mais para frente. Deveria ter começado antes com certeza.

Ferris nos apresenta a menina Karen Reyes. Do alto de seus 10 anos ela se depara com algumas situações que poderíamos dizer pelo menos peculiares. Desde uma morte próxima à todo seu drama familiar, passando até por relatos da 2ª Guerra, a obra é um apanhado de vivências através dos pontos de vista dessa estranha menina, que se vê meio humana e meio lobo.

Um caderno de confidências
As artes foram feitas com caneta esferográfica seguindo pelo volume de forma a promover para o leitor a experiência de um caderno pessoal, lindo por sinal. Nele, Karen escreve um enorme diário de sua vida e de como vê o mundo a sua volta. Todas as imagens são ricas em referências e motivos. Muito bom ler uma obra assim.

Utilizando a simbologia dos monstros clássicos, somos levados por uma história, antes de tudo, humana ao extremo. O cruel mundo infantil fica maravilhosamente bem retratado, assim como os arquétipos terríveis que Ferris utiliza para descrever os amigos de Karen.

Ela busca se entender, assim como compreender o mundo que a cerca. Aceitação é um tema forte nesse quadrinho, mas não o único. A vivência da jovem com seus familiares, vizinhos e colegas são retratadas pontualmente e ela consegue, da sua forma, entrar em suas vidas e com isso e aprender muito, conforme cresce. Ao leitor fica a posição de testemunha de várias histórias reais, relatadas pelo prisma fantasioso de Karen, mas nem por isso menos tocantes.

Conclusões finais
Uma obra que antes de tudo fala de seres humanos verdadeiros. Brilhante por te permitir sonhar, delirar, sofrer, rir, temer e o principal de tudo, sentir todas as emoções daquela pequena vida que nos confiou o diário.

Lembre-se sempre desse voto de confiança que ela lhe deu, ao compartilhar seu caderno de desenhos. Sua contrapartida é apenas ler e se emocionar.

Minha coisa favorita é monstro, de Emil Ferris é uma publicação da Quadrinhos na Cia, com tradução de Érico Assis e ganhadora dos prêmios Eisner e Fauve D’Or de Melhor Álbum do Ano.

Boa leitura!

Resenha publicada no site Canto do Gárgula.


site: https://cantodogargula.com.br/2020/03/05/minha-coisa-favorita-e-monstro-de-emil-ferris/
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Lydia P. 18/01/2021

Muito bom
Esse quadrinho é rico em arte e em texto.! Basicamente é uma história misteriosa de investigação.
Tem referências a obras de arte e coisas que aconteceram na história como o nazismo. Também envolve temas polêmicos como racismo, auto estima, bullying, estupro, e vários outros...
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Martins 08/04/2021

Minha coisa favorita é a arte da Emil Ferris
Que quadrinho absurdo!
A começar pela arte estarrecedora da Emil Ferris, que foi feita a caneta esferográfica. Nas paisagens ela deixa tudo muito belo, nas expressões caricatas das personagens ela deixa que a gente capte o clima misterioso e grotesco da história.
História essa que envolve família, aceitação, amizade, irmandade, mistério e holoscausto nazista de uma forma simplesmente tocante.
Acredito que algumas partes poderiam ser suprimidas sem muita perda de conteúdo, mas a mesmo tempo tudo parece colocar a gente dentro da cabeca da Karen.
Em suma, é um dos melhores quadrinhos dos últimos anos e, com certeza, vale pena a leitura.
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Nick 29/12/2020

Impressionante
A arte de Emil Feris é de tirar o folego! Impressionante ver um quadinho feito com essa técnica.

A narrativa achei um pouco confusa a principio, mas como é uma criança narrando, faz total sentido!

Aos poucos me acostumei com a dinamica e pude aproveitar ainda mais a obra.

A HQ tem momentos bem pesados e acaba com um final bem aberto. Acredito que terá continuação!
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Delirium Nerd 17/08/2019

O terror político de Emil Ferris: o perigo de ser mulher e imigrante
Falar sobre “Minha Coisa Favorita é Monstro“, lançado pelo selo Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras), é falar sobre a arte em suas mais diversas formas e funções sociais, ainda mais se tratando das qualidades literária e gráfica que a autora norte-americana, Emil Ferris, dispôs em sua obra de estreia; sendo parcialmente biográfico, o premiado quadrinho foi elogiado por autores importantes como Alison Bechdel (“Fun Home“) e Art Spiegelman (“Maus”) e serve como mais um exemplo de que mulheres podem criar histórias magistrais na nona arte.

Ao longo da vida, Emil Ferris teve inúmeras profissões, mas era nos desenhos que ela se encontrava. Filha dos artistas Eleanor Spiess-Ferris e Mike Ferris, Emil sempre teve contato com as artes, por parte da mãe, que era pintora surrealista, e do pai, que criava quadrinhos pornográficos inspirados em personagens famosos; isto fez com que ela buscasse aprimorar seus próprios conhecimentos e viesse a trabalhar como freelancer.

A vida de Emil mudou drasticamente quando, em 2001, aos 40 anos, foi picada pelo mosquito culex e contraiu a Febre do Nilo Ocidental, doença que atingiu seu sistema nervoso central, causando encefalite, meningite e febres altas que acarretavam em constantes quadros de delírio. Além disto, Emil teve os membros inferiores paralisados e também a mão direita e, até hoje, mesmo após anos de fisioterapia, a saúde de Emil requer cuidados.

Foi no processo de recuperação que a autora começou a desenhar e roteirizar “Minha Coisa Favorita é Monstro“, quadrinho que levou seis anos para ser concluído e, após concluído, enfrentou muitas rejeições por parte de editoras. A finalização de seu trabalho foi uma forma de vencer as limitações impostas pela doença e, de várias formas, uma maneira da autora se reconectar com aquilo que sempre lhe fora precioso: a arte.

Assim como sua criadora, Karen, a protagonista de “Minha Coisa Favorita é Monstra” nasceu em Chicago e conhece muito sobre os lugares e as pessoas da cidade. Ao longo de seus 10 anos, a garota coleciona histórias criadas dentro de uma mente imaginativa, apaixonada por monstros como a própria Emil Ferris, que, desde pequena, apreciava filmes B como “Drácula” e “Frankenstein“. A paixão pelo sobrenatural e suas particularidades fazem com que Karen se enxergue como uma “lobismoça” e é esta identidade que a autora mantém por toda a obra para que conheçamos o mundo dela e das pessoas que nele vivem.

Karen mora com a mãe e o irmão mais velho, Dezê, em um prédio e um dia recebe a notícia de que a vizinha Anka, pela qual tinha tanto apreço, morrera com um tiro no peito e a cena apresentava elementos contraditórios e misteriosos: este é o pontapé para que Karen assuma o papel de detetive e passe a investigar quem – ou o quê – esteve envolvido na morte de sua amiga.

Ambientado em 1968, o quadrinho retrata uma Chicago marcada por um clima pesado, repleta de pessoas intolerantes e violentas, as quais Karen denomina de T.U.R.B.A, aqueles que querem a qualquer custo machucar e padronizar quem é diferente dos demais, como a própria protagonista. O interessante em “Minha Coisa Favorita é Monstro” é que, em momento algum, Karen tenta se enquadrar no padrão imposto pela sociedade, tanto que adota a persona de lobismoça com muito orgulho e não esconde isso de ninguém.

É incrível como Emil Ferris nos apresenta um roteiro original e nos brinda com a aparição de mulheres diferentes entre si, porém ligadas por uma força sem igual, ao iniciar por Karen, que mesmo tão nova precisa lidar com o bullying na escola por ter a aparência e gostos diferentes. Neste ponto, a autora também se conecta à sua personagem, por precisar utilizar suas peculiaridades ao seu favor na fase escolar para não se sentir sozinha; as duas também se conectam quanto à sexualidade, uma vez que tanto Karen quanto Emil são bissexuais.

Em determinada passagem, Karen visita um cemitério, encontra um túmulo e conversa com o fantasma de Kate Warne, a primeira detetive dos Estados Unidos. A representatividade e o sentimento de conexão entra as duas é imediato, uma vez que Kate também usava roupas masculinas para exercer seu trabalho. A mãe solo de Karen é outra personagem que, para além da superproteção que nutre pelos filhos, precisa enfrentar os obstáculos que a vida lhe impõe sem desanimar Karen e Dezê. É uma personagem leve, engraçada e dona de um amor e compreensão incondicionais.

Anka é uma das personagens mais instigantes da trama, pois além de boa parte da história girar em torno de sua morte, Karen também investiga seu passado e quais acontecimentos poderiam estar ligados ao trágico incidente. Nascida em Berlim, em 1920, ela cresceu em um bordel por conta da mãe, que tornou-se prostituta para oferecer melhores condições de vida à filha, devido à precária situação em que a população alemã se encontrava na época.

Junto à Sonja, a cozinheira do bordel, Anka encontrou uma válvula de escape para a condição de abusos psicológicos que tanto ela e a mãe sofriam; a mulher lhe contava inúmeras histórias e nota-se no desenvolver da personagem o quanto a mitologia e os contos faziam parte de sua personalidade e a ajudavam a escapar dos horrores da realidade em que vivera, passando pelo holocausto até sua chegada aos Estados Unidos, já adulta.

A arte está presente em cada quadro da obra de Emil Ferris: de citações de estreias de filmes da época no cinema local, como “Planeta dos Macacos” (1968, Franklin J. Schaffner), à exposições de arte no museu da cidade, Karen fala sobre as obras que admira e sobre o que a move como uma pequena artista. A vontade de ser desenhista profissional vem do irmão, Dezê, outra representatividade forte para a protagonista. Ele ensina à ela técnicas de desenho e também a leva para ver quadros famosos e, em uma cena comovente em que os dois visitam o Instituto de Arte, Karen literalmente mergulha nas obras, as analisa e de forma sinestésica, aproveita e absorve cada aspecto daquelas que mais lhe chamam a atenção.

A forma como Emil Ferris nos conta sobre seus conhecimentos e paixões pelos olhos da garotinha curiosa que Karen é, transforma cada página de “Minha Coisa Favorita é Monstro” em uma experiência extremamente catártica e as referências culturais são uma grata surpresa para quem gosta dos temas apresentados.

“Minha Coisa Favorita é Monstro” não é sobre luzes que piscam misteriosamente, uivos que congelam a espinha ou correntes sendo arrastadas no silêncio da madrugada; os terrores, aqui, são muito reais – doenças graves, amores não correspondidos, violências físicas, psicológicas e sexuais, racismo, a falta que se sente de um ente querido e a constante insistência em ter sua personalidade sufocada ganham status do horror que realmente representam na vida das pessoas e assustam muito mais, justamente por estarem ao alcance de muitos de nós.

Os fantasmas são os eventos e as pessoas do passado que, vez ou outra, voltam para assombrar quem resiste no presente. Os monstros são uma sociedade doente e decadente, sedenta pela carne de meninas inocentes, e os vampiros se arrastam a sugar, noite e dia, a vitalidade de quem, assim como Karen e Anka, quer existir sem amarras. O terror social e político de Emil Ferris assemelha-se em vários pontos ao de Mariana Enriquez, escritora argentina confirmada na Flip de 2019, pois as mazelas da sociedade são vistas por um viés grotesco e assustam por serem facilmente reconhecíveis e palpáveis. Karen, com tão pouca idade, nos mostra a fragilidade que há dentro de muitas pessoas e a maldade corrosiva que alcança tantas outras.

Antes de tudo, a obra é uma metaficção e surpreende por não se parecer com nada visto antes na história dos quadrinhos. Em primeiro lugar, ela foi estruturada em forma de diário e, assim como uma garota de 10 anos manteria seus mais secretos pensamentos dispostos nas páginas de um caderno, Emil escreve de diversos jeitos e em diversas direções e isto faz com que a obra se torne interativa. Em segundo lugar, as folhas são pautadas e o texto é disposto nas linhas e também dentro de balões.

Continua no link abaixo!

site: https://deliriumnerd.com/2019/05/20/minha-coisa-favorita-e-monstro-emil-ferris-resenha/
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17/12/2019

Nunca demorei tanto lendo uma HQ. É tanta coisa acontecendo que nem sei por onde começar. A história parece simples no começo, mas vai ficando complexa rapidamente.

Aparentemente é sobre uma menina e sua paixão por monstros - e museus -, mas logo passa para uma história de detetive, com pinceladas de crítica social e até um flashback envolvendo o período nazista – por sinal, a última coisa que achei que fosse encontrar aqui. Tudo isso é muito bem amarrado e é bem legal acompanhar tamanha criatividade.

Mas o destaque é definitivamente a arte. Realmente sentimos que estamos folheando o caderno da protagonista, e quando levamos em conta que tudo foi feito com caneta BIC e marcador de texto, é no mínimo impressionante.

Ansiosa pelo volume dois!
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